
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não permitirá a realização de eleições que possam levar grupos de oposição ao poder. A declaração foi feita no último domingo (19), durante as celebrações pelo aniversário da Revolução Sandinista, e provocou forte repercussão internacional.
Durante o discurso, Ortega afirmou que a Nicarágua adotará medidas legais contra forças políticas que, segundo ele, seriam financiadas por governos estrangeiros, especialmente pelos Estados Unidos. O presidente não detalhou como as mudanças seriam implementadas, nem se o país deixaria formalmente de realizar eleições ou restringiria a participação de determinados grupos políticos.
“Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”, declarou Ortega ao se referir aos opositores do governo. O líder sandinista afirmou que o objetivo é impedir o retorno ao comando do país de setores que considera ligados aos Estados Unidos e ao antigo regime de Anastasio Somoza, derrubado pela Revolução Sandinista de 1979.
A fala aumentou as críticas internacionais ao governo nicaraguense. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que a Nicarágua não poderia continuar suas relações internacionais “como se nada tivesse acontecido” após o anúncio e defendeu uma reação da comunidade internacional diante do enfraquecimento das instituições democráticas no país.
Ortega está no poder de forma ininterrupta desde 2007, após já ter governado a Nicarágua na década de 1980. Nos últimos anos, o governo promoveu mudanças constitucionais que ampliaram a concentração de poder, incluindo a nomeação da esposa do presidente, Rosario Murillo, como copresidente, além da ampliação do mandato presidencial.
O governo Ortega-Murillo também é alvo de denúncias de organismos internacionais por repressão a manifestações, perseguição a opositores e restrições à atuação de organizações da sociedade civil. Desde 2022, milhares de ONGs e instituições de ensino tiveram seus registros cancelados no país, segundo entidades críticas ao regime.
A declaração do presidente nicaraguense coloca novamente o país no centro do debate sobre democracia na América Latina. Enquanto Ortega afirma agir para proteger a soberania nacional contra interferências externas, opositores e governos estrangeiros apontam que as medidas representam o fechamento dos espaços de participação política e a consolidação de um regime cada vez mais concentrado no casal Ortega-Murillo.
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