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Mulher é condenada a 56 anos de prisão por matar mãe e filha em Belo Horizonte

Vítimas tinham 67 e 10 anos; crimes ocorreram em 2023, no bairro Piratininga, na região de Venda Nova

01/10/2026 às 12h48
Por: Cristiane Cirilo
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MPMG
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Uma mulher de 34 anos foi condenada a 56 anos e oito meses de prisão em regime inicial fechado pela morte da própria mãe, de 67 anos, e da filha, de 10 anos, em Belo Horizonte. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri nesta quarta-feira (30), após denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Os homicídios ocorreram entre os dias 13 e 14 de março de 2023, no bairro Piratininga, na região de Venda Nova. Segundo a denúncia, a mulher morava com a mãe e a filha.

De acordo com o MPMG, a acusada mantinha uma relação de dependência financeira em relação à mãe. Depois de utilizar os recursos da idosa e não conseguir mais dinheiro para pagar as próprias despesas, decidiu matá-la por asfixia.

Ainda segundo a acusação, durante o ataque a idosa pediu que a filha parasse, mas a agressão só foi interrompida quando a mulher percebeu que a mãe havia deixado de respirar. O crime foi enquadrado também como feminicídio, por ter ocorrido em contexto de violência doméstica e familiar.

Depois da morte da mãe, a mulher teria decidido matar a própria filha para evitar que o primeiro crime fosse descoberto. Segundo o processo, ela utilizou sua autoridade como mãe para impedir que a criança pedisse ajuda.

A menina teria sido submetida a agressões físicas e psicológicas antes de ser morta. Conforme a denúncia, a acusada contou à filha que a avó havia morrido e disse que cometeria suicídio, além de afirmar que a criança ficaria sem ninguém para cuidar dela e poderia ser encaminhada para um abrigo.

Ainda segundo o MPMG, a mulher tentou cortar os pulsos da filha com uma faca e, depois, a asfixiou. A criança chegou a reagir, mas acabou sendo imobilizada e teve o pescoço comprimido até a morte.

Após os dois homicídios, a acusada também teria tentado esconder a morte da mãe. Para isso, utilizou o telefone celular da idosa para enviar mensagens ao chefe dela, passando-se pela vítima e justificando sua ausência ao trabalho. Segundo o MPMG, a ação configurou fraude processual.

Durante o julgamento, a mulher confessou ter cometido os homicídios, mas negou que as mortes tenham ocorrido por interesse financeiro ou em razão de empréstimos que teriam sido negados.

Em depoimento, ela afirmou que já havia pensado em cometer suicídio e relatou sentimentos de culpa por considerar que não era uma boa filha e mãe e por não trabalhar para contribuir com as despesas da casa.

A acusada contou que, inicialmente, pretendia esperar a mãe e a filha saírem do apartamento para cometer suicídio. Segundo o depoimento, mudou de ideia ao pensar que as duas encontrariam seu corpo posteriormente e decidiu matá-las também.

Depois dos crimes, ela afirmou ter tentado tirar a própria vida. Segundo o relato apresentado no julgamento, primeiro se cortou com uma faca e, no dia seguinte, tentou inalar gás. A tentativa teria sido interrompida quando uma equipe de resgate arrombou a porta do apartamento.

O Tribunal do Júri acolheu as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público, considerando que os homicídios foram cometidos por meio cruel e com recurso que dificultou a defesa das vítimas. Também foi reconhecido o feminicídio nos dois casos.

A pena foi fixada em 56 anos e oito meses de prisão, em regime inicial fechado. O julgamento teve atuação do promotor de Justiça Fabiano Mendes Cardoso, da 7ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Belo Horizonte.

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