
O Palácio das Artes, em Belo Horizonte, vai passar por uma reforma de grande porte no Grande Teatro Cemig, principal espaço de espetáculos do complexo cultural. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) vai destinar cerca de R$ 10 milhões para a primeira etapa da revitalização, que prevê melhorias na infraestrutura, acessibilidade e segurança, além da preservação das características arquitetônicas do espaço.
O acordo para o repasse dos recursos foi formalizado nesta quarta-feira (30), no foyer do Grande Teatro. Participam da iniciativa o MPMG, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), e a Fundação Clóvis Salgado (FCS), responsável pela gestão do Palácio das Artes.
A execução da obra depende da conclusão do processo de licitação para escolha da empresa responsável pelos serviços. A previsão é que os trabalhos durem entre cinco e sete meses.
Entre as intervenções previstas estão a troca das cadeiras, o restauro do piso do palco e das plateias, a substituição dos carpetes e a renovação da infraestrutura elétrica. O projeto também contempla adequações voltadas à acessibilidade e à segurança.
O dinheiro será direcionado pelo MPMG por meio da Plataforma Semente. Segundo o órgão, os recursos são provenientes de sua atuação no combate à sonegação de impostos e a fraudes financeiras. Além da recuperação de valores devidos aos cofres públicos, acordos firmados em investigações podem estabelecer a destinação de recursos para projetos de interesse coletivo.
A reforma do Grande Teatro faz parte de um projeto mais amplo de restauração e requalificação do Palácio das Artes. O projeto foi aprovado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e pela Diretoria de Patrimônio Cultural da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.
O Palácio das Artes é tombado pelo Iepha-MG como parte do Conjunto Paisagístico do Parque Municipal Américo Renné Giannetti e também possui proteção do patrimônio cultural do município.
Por causa do tombamento, as intervenções deverão preservar características arquitetônicas e culturais do complexo. O projeto prevê ainda melhorias nas condições de uso dos espaços para atividades culturais, educativas e institucionais.
O Grande Teatro tem 1.705 lugares e um palco italiano com 20 metros de profundidade e 18 metros de largura. O espaço também possui fosso para orquestra, com capacidade para até 80 músicos, e equipamentos que permitem diferentes configurações para os espetáculos.
A reforma ocorre quase três décadas depois de uma das intervenções mais importantes da história do teatro. Em abril de 1997, um incêndio atingiu o Grande Teatro e destruiu parte das cadeiras, cortinas, teto e equipamentos de iluminação e som da plateia. A reconstrução foi concluída em julho de 1998.
Inaugurado em 14 de março de 1971, o Palácio das Artes completa 55 anos em 2026. O complexo reúne espaços dedicados a música, dança, teatro, ópera, cinema e artes visuais e é administrado pela Fundação Clóvis Salgado.
A primeira etapa da nova intervenção será concentrada no Grande Teatro, mas o projeto apresentado pela Fundação Clóvis Salgado prevê a recuperação de outras áreas do complexo ao longo das próximas fases.
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