
O diagnóstico recente de adenocarcinoma do aparelho digestivo do cacique Raoni Metuktire, uma das principais lideranças indígenas do país, chamou atenção para um grupo de tumores que pode atingir diferentes órgãos, como estômago, intestino, esôfago, fígado e pâncreas.
Embora façam parte do sistema digestório, esses cânceres têm características, fatores de risco e tratamentos diferentes. O oncologista Bruno Fernandes, do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), ligado à Universidade Federal do Pará (UFPA), explica que o adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer encontrado no trato gastrointestinal.
Segundo o especialista, os sintomas variam conforme o órgão afetado e nem sempre são específicos. Por isso, a presença de um desses sinais não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer, mas alterações persistentes devem ser investigadas.
Entre os sintomas que podem servir de alerta estão perda de peso sem causa aparente, dificuldade para se alimentar, redução importante do apetite e sangramentos, que podem aparecer no vômito ou nas fezes.
Os fatores de risco também variam de acordo com o tipo de tumor. Histórico familiar, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e alguns hábitos alimentares estão entre os fatores associados a um maior risco de desenvolvimento de cânceres do sistema digestório.
Algumas infecções crônicas também podem estar relacionadas a determinados tumores. As hepatites B e C, por exemplo, podem aumentar o risco de câncer de fígado, principalmente quando estão associadas à cirrose. A infecção persistente pela bactéria Helicobacter pylori está relacionada ao câncer de estômago, enquanto o HPV pode estar associado ao câncer do canal anal.
Ter uma dessas infecções, porém, não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer. O surgimento dos tumores envolve diferentes fatores e também pode ocorrer na ausência dessas infecções.
A prevenção passa, principalmente, pela redução de fatores de risco que podem ser modificados. Não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, manter uma alimentação equilibrada e controlar o peso estão entre as medidas recomendadas para reduzir riscos.
No caso do câncer colorretal, existe uma estratégia de rastreamento para a população. A realização de colonoscopia pode ser indicada a partir de determinada faixa etária, mas o momento para iniciar o acompanhamento e a frequência dos exames variam de acordo com o histórico e os fatores de risco de cada pessoa.
Quem tem histórico familiar de câncer colorretal ou condições que aumentem o risco pode precisar de acompanhamento individualizado e iniciar a investigação mais cedo.
Quando o câncer é identificado em estágio inicial, as possibilidades de tratamento tendem a ser maiores. A escolha da terapia depende do órgão afetado, do tipo e do estágio do tumor e das condições de saúde do paciente.
O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia e terapias sistêmicas, como quimioterapia, imunoterapia e medicamentos direcionados a características específicas do tumor.
Por isso, sintomas persistentes ou mudanças importantes no funcionamento do organismo não devem ser ignorados. A avaliação médica é necessária para identificar a causa dos sinais e, quando houver indicação, realizar os exames necessários para chegar ao diagnóstico.
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