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Ministério da Saúde alerta para impactos do El Niño e prepara SUS para eventos extremos

Fenômeno pode provocar ondas de calor, chuvas intensas, secas, queimadas e aumento de doenças em diferentes regiões do país

16/09/2026 às 15h58
Por: João Vitor Viana
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Transmissão pela Internet
Transmissão pela Internet

O Ministério da Saúde reforçou, nesta quarta-feira (16), o alerta para os possíveis impactos do El Niño sobre a saúde da população brasileira nos próximos meses. Em transmissão realizada pela internet, representantes do governo federal e especialistas discutiram medidas de preparação para um cenário que pode se estender até o início de 2027, com efeitos diferentes de acordo com as características de cada região. O governo federal já trabalha na elaboração de planos específicos para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para eventos climáticos extremos.

Participaram da exposição Agnes Soares da Silva, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde; Rodrigo Guerino Stabeli, diretor da Força Nacional do SUS; Newton Pereira Júnior, da Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde; Mariely Helena Barbosa Daniel, da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz; e Paulo Gadelha, pesquisador sênior da Fiocruz e coordenador da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030.

Durante a apresentação, os participantes destacaram que a preparação precisa considerar as diferenças territoriais do Brasil. De acordo com o plano federal, o El Niño 2026-2027 poderá produzir impactos distintos: chuvas intensas e risco de inundações no Sul; ondas de calor e temporais no Sudeste; seca, estiagem e queimadas em áreas do Norte e Centro-Oeste; e aprofundamento da seca e calor no Nordeste. As projeções também orientam a preparação para enchentes, deslizamentos, incêndios florestais e períodos de baixa umidade.

Os efeitos sobre a saúde também preocupam o governo. Entre os riscos apontados estão o aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares, problemas relacionados ao calor extremo, desidratação, agravos à saúde mental e maior ocorrência de doenças transmitidas por vetores. O Ministério da Saúde já emitiu orientação específica sobre a possibilidade de aumento de arboviroses, como dengue e chikungunya, durante o período de influência do fenômeno.

A pressão sobre a rede de atendimento é outro ponto considerado no planejamento. O aumento simultâneo de casos relacionados a ondas de calor, queimadas, enchentes, doenças infecciosas e outros eventos extremos pode elevar a demanda por unidades básicas, serviços de urgência e hospitais. Em agosto, a diretora Agnes Soares já havia alertado para a possibilidade de aumento de atendimentos relacionados à desidratação e a problemas cardiovasculares e respiratórios durante períodos de calor extremo.

Segundo as informações apresentadas no encontro, a exposição da população idosa ao calor aumentou mais de 1.000% nas últimas duas décadas. A preocupação com esse grupo está relacionada à maior vulnerabilidade aos efeitos das temperaturas elevadas, especialmente entre pessoas com doenças crônicas. O Ministério também trabalha com estratégias de comunicação e prevenção adaptadas aos diferentes territórios, considerando que os riscos e as necessidades da população não são iguais em todo o país.

Uma das iniciativas citadas é o AdaptaSUS, plano nacional voltado à adaptação do setor saúde às mudanças climáticas. A estratégia prevê 27 metas e 93 ações até 2035, com previsão de aproximadamente R$ 9,8 bilhões em investimentos para adaptação estrutural da rede de saúde. A preparação também inclui planos estaduais, monitoramento climático e epidemiológico, protocolos técnicos, recursos e kits emergenciais e a ampliação da capacidade de resposta da Força Nacional do SUS.

O Ministério da Saúde afirma que o planejamento nacional precisa ser acompanhado por ações locais. A pasta já mobilizou gestores dos 26 Estados e do Distrito Federal para a elaboração de planos estaduais de enfrentamento ao El Niño, com identificação dos principais riscos e das necessidades de cada território. O país conta ainda com Centros de Informação em Saúde e Clima, responsáveis por cruzar dados climáticos e epidemiológicos para orientar alertas e medidas de prevenção.

Em relação à estrutura de resposta, o governo federal também vem ampliando a presença regional da Força Nacional do SUS. Atualmente, há bases em Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro, esta última voltada ao atendimento de emergências nos estados do Sudeste. Outras seis bases estão previstas até o fim de 2026. A estratégia busca reduzir o tempo de deslocamento de equipes e ampliar a capacidade de apoio a estados e municípios em situações de emergência.

Durante a apresentação, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu que as ações de prevenção sejam construídas de maneira regionalizada e com participação de estados e municípios. Segundo ele, o país precisa considerar evidências científicas e experiências recentes de outras regiões do mundo para evitar interrupções de serviços de saúde, aumento de mortes e sobrecarga da rede.

O planejamento também prevê atenção a problemas como afogamentos, deslizamentos, enchentes, secas, queimadas e possíveis mudanças na circulação de doenças. O Ministério da Saúde já publicou notas técnicas específicas para orientar os serviços de saúde diante dos efeitos esperados do El Niño, incluindo medidas de vigilância para doenças respiratórias e estratégias para proteger a rede de frio de imunobiológicos.

Em Minas Gerais, conforme as informações apresentadas na transmissão, estão previstas 314 novas unidades de saúde, incluindo estruturas em áreas rurais, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento da população. A expansão da rede é apontada como parte das medidas de preparação diante de possíveis aumentos de demanda provocados por eventos climáticos extremos.

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