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Declaração final do Brics defende reforma da ONU e mais peso para o Sul Global

Documento da 18ª Cúpula, em Nova Délhi, reafirma apoio a Brasil e Índia no Conselho de Segurança e cobra combate ao racismo e à xenofobia

16/09/2026 às 15h18
Por: Daniel Mendes
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Divulgação: Ministério das Relações Exteriores da Índia/Via Reuters
Divulgação: Ministério das Relações Exteriores da Índia/Via Reuters

Os líderes do Brics divulgaram a declaração final da 18ª Cúpula do grupo, realizada em Nova Délhi, na Índia, reunindo os consensos alcançados pelos onze integrantes do bloco em temas como governança global, comércio, desenvolvimento sustentável, clima, tecnologia, segurança internacional e cooperação entre países em desenvolvimento.

O Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, países que juntos representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global.

O texto tem caráter político e orienta a atuação conjunta dos países-membros em fóruns multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU), o G20 e a Organização Mundial do Comércio (OMC), reforçando a defesa do multilateralismo e de uma governança global mais representativa em um momento marcado por disputas geopolíticas, guerras e tensões comerciais.

Entre os temas de maior interesse para o Brasil, a declaração reforça a defesa histórica da diplomacia brasileira por uma reforma da ONU e do Conselho de Segurança, argumentando que os organismos internacionais precisam refletir melhor a realidade atual e ampliar a representação dos países em desenvolvimento.

O documento registra ainda que China e Rússia reiteraram apoio às aspirações de Brasil e Índia de ocupar papel mais relevante nas Nações Unidas, inclusive em um Conselho de Segurança reformado, tornando-o mais democrático, representativo, eficaz e eficiente.

Os líderes do bloco também reconheceram que as desigualdades dentro dos países e entre eles estão na raiz de diversos desafios globais, e defenderam maior representação de mulheres em postos de liderança de organismos internacionais.

Banco do Brics e mecanismos de pagamento

A declaração destaca o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, como instrumento estratégico para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, incentivando a instituição a ampliar sua capacidade de captação, diversificar fontes de financiamento e expandir operações em moedas locais. 

O texto também manifesta apoio à ampliação do número de membros do banco e ao lançamento de um portal de conhecimento em parceria com o Brics para compartilhar boas práticas sobre projetos financiados pela instituição.

Sem citar diretamente o Pix, o documento defende princípios compatíveis com esse tipo de sistema, como maior interoperabilidade entre plataformas de pagamento, integração de canais de mensagens financeiras, aumento das liquidações comerciais em moedas locais e desenvolvimento de mecanismos mais rápidos, baratos e seguros para transações internacionais entre os países-membros.

Sul Global, comércio e combate à desigualdade

Os líderes reafirmaram compromisso com a Agenda 2030 da ONU, defenderam a erradicação da pobreza como prioridade global e reiteraram a necessidade de intensificar o combate ao racismo, à xenofobia, à discriminação religiosa e ao aumento de discursos de ódio e desinformação ao redor do mundo. 

No campo comercial, o bloco reafirmou apoio à reforma da OMC e à preservação de um sistema multilateral baseado em regras, manifestando preocupação com o aumento de medidas tarifárias consideradas incompatíveis com as normas da organização e criticando políticas protecionistas.

Entre as iniciativas para ampliar o comércio entre os membros do grupo estão o fortalecimento das cadeias globais de valor, a facilitação do comércio agrícola intrabloco, a digitalização de documentos comerciais e a criação de uma plataforma de comercialização de grãos, batizada de Brics Grain Exchange.

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