16°C 30°C
Belo Horizonte, MG
Publicidade

Organização Pan-Americana da Saúde amplia acesso a medicamento de prevenção a HIV em 14 países da região

Brasil está entre os beneficiados por fundo regional que facilita a compra do medicamento injetável de aplicação semestral

16/09/2026 às 15h54
Por: Daniel Mendes
Compartilhe:
Reprodução: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Reprodução: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) vai ampliar o acesso ao lenacapavir, medicamento usado na prevenção do HIV, em 14 países da América Latina e do Caribe, incluindo o Brasil. Segundo a entidade, a região registra cerca de 140 mil novas infecções pelo HIV todos os anos, cenário que reforça a necessidade de ampliar as opções eficazes de prevenção disponíveis à população.

O lenacapavir é uma profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de ação prolongada, administrada duas vezes ao ano. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o medicamento como opção adicional no combate ao HIV, depois que ensaios clínicos demonstraram eficácia próxima de 100% na prevenção da infecção, segundo a Opas, essa aplicação semestral representa alternativa importante para pessoas com dificuldade de seguir esquemas de prevenção mais frequentes.

De acordo com a entidade, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela poderão adquirir o medicamento por meio de fundos rotatórios regionais da Opas, mecanismo que complementa acordos de licenciamento voluntário já vigentes em 24 países da região, dentro de uma estrutura global de acesso que abrange 120 países no mundo.

Brasil pode passar a produzir o medicamento localmente

Como parte da iniciativa, a farmacêutica Gilead Sciences, responsável pela produção do lenacapavir, se comprometeu a avançar no processo de transferência de tecnologia para o Brasil, com o objetivo de viabilizar a fabricação local do medicamento, ainda sem prazos ou mecanismos específicos definidos, segundo a Opas. 

No longo prazo, a entidade avalia que a ampliação da capacidade regional de produção pode contribuir para maior disponibilidade do lenacapavir e condições de aquisição mais sustentáveis para os países da região.

A incorporação do medicamento aos programas nacionais de combate ao HIV será progressiva e dependerá de processos regulatórios locais, protocolos clínicos, capacitação de profissionais de saúde e planejamento programático em cada país. 

A Opas afirmou que oferece cooperação técnica para apoiar essa avaliação, com o objetivo de assegurar, segundo a organização, "que a introdução seja baseada em evidências e adaptada aos contextos nacionais".

Mais uma ferramenta no combate ao HIV

O lenacapavir se soma a outras opções já disponíveis para a prevenção do HIV, como a PrEP oral diária ou sob demanda, o cabotegravir de ação prolongada e os preservativos, além do diagnóstico precoce e do acesso oportuno ao tratamento antirretroviral. 

Segundo a Opas, ampliar o acesso a ferramentas eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento é essencial para reduzir as novas infecções pelo HIV e avançar rumo à meta de eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.