
A Câmara Municipal de Belo Horizonte deve votar nesta quinta-feira (10) o Projeto de Lei 702/2026, que pretende proibir a atuação de guardadores autônomos de veículos, conhecidos como flanelinhas, em vias e logradouros públicos da capital.
De autoria do vereador Sargento Jalyson (PL), o projeto estabelece multa de R$ 1 mil para quem abordar motoristas ou cobrar valores, vantagens ou qualquer tipo de pagamento para vigiar veículos, reservar vagas públicas ou condicionar a permanência de carros estacionados ao pagamento.
Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro. Para ser aprovado em primeiro turno, o texto precisa receber pelo menos 21 votos favoráveis.
A proposta não se limita a pessoas que atuam informalmente como flanelinhas. Lavadores de veículos licenciados pelo município também poderão ser multados caso passem a cobrar pela vigilância de carros ou pela demarcação de vagas públicas.
Nessas situações, além da multa de R$ 1 mil, a ocorrência deverá ser comunicada ao órgão municipal responsável, que poderá abrir procedimento administrativo contra o profissional licenciado.
O projeto considera como infração ações como abordar, constranger, solicitar, exigir, cobrar, receber ou tentar receber valores para vigiar veículos ou garantir uma vaga de estacionamento em espaço público.
A fiscalização poderá ser realizada pela Guarda Civil Municipal, além dos fiscais de posturas da Prefeitura de Belo Horizonte.
O texto também autoriza o Executivo a firmar acordos de cooperação com órgãos estaduais de segurança pública para operações conjuntas de fiscalização e autuação administrativa.
A proposta determina ainda que os recursos arrecadados com as multas sejam destinados prioritariamente a ações de manutenção, estruturação e aparelhamento da política municipal de segurança pública.
Na justificativa do projeto, Sargento Jalyson afirma que a atuação de flanelinhas representa um problema recorrente na cidade e pode gerar conflitos relacionados à ocupação das ruas, à mobilidade e à segurança.
Para o vereador, a cobrança informal pelo uso de vagas públicas não deve ser tratada como uma prática normalizada.
Apesar de ter avançado nas comissões, o projeto também recebeu ressalvas durante a tramitação.
A Comissão de Legislação e Justiça considerou que a proposta trata de uma questão de competência municipal, mas apontou possíveis problemas relacionados à separação entre os Poderes. O parecer também questionou a criação de uma lei específica para tratar do assunto, argumentando que regras sobre o uso de logradouros públicos e atividades exercidas nesses espaços deveriam ser incorporadas ao Código de Posturas.
Uma emenda foi apresentada pela comissão para tentar corrigir os pontos considerados problemáticos.
Já a Comissão de Administração Pública e Segurança Pública deu parecer favorável à proposta. O colegiado avaliou que a medida pode reforçar o uso regular das vias públicas e contribuir para a prevenção de conflitos e para a mobilidade urbana.
Outras duas comissões — de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana; e de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços — não apresentaram parecer dentro do prazo regimental.
Se o projeto for aprovado nesta quinta-feira, a emenda apresentada durante a tramitação ainda será analisada pelas comissões antes que a proposta siga para a votação em segundo turno.
A reunião do Plenário Amintas de Barros poderá ser acompanhada presencialmente pela população ou pela transmissão da Câmara Municipal.
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