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Biometria virou chave digital, mas exige cuidado: entenda onde seus dados podem parar

Reconhecimento facial e impressão digital aumentam a segurança, mas biometria é dado sensível e merece atenção antes de ser compartilhada

02/09/2026 às 10h39
Por: Cristiane Cirilo
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Getty images
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Um rosto diante da câmera, um dedo sobre a tela e, em poucos segundos, um aplicativo libera o acesso a uma conta, uma carteira de motorista ou um serviço público. A biometria deixou de ser uma tecnologia restrita a sistemas de segurança e passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas.

A praticidade, no entanto, traz uma pergunta importante: o que acontece com os dados do rosto ou da impressão digital depois que eles são utilizados?

A resposta depende de como o sistema foi desenvolvido. Em algumas situações, principalmente no desbloqueio de celulares e no acesso a aplicativos, a informação biométrica permanece no próprio aparelho. Em outras, como na abertura de uma conta ou em processos de prova de vida, uma imagem pode ser enviada para servidores da empresa responsável pelo serviço ou de fornecedores contratados.

A biometria facial e digital é utilizada principalmente para confirmar a identidade de uma pessoa, aumentar a segurança e reduzir a dependência de senhas. Impressões digitais são identificadas a partir de padrões únicos dos dedos, enquanto sistemas de reconhecimento facial analisam características do rosto, como distâncias, contornos e proporções.

Quando o rosto não sai do celular

Em sistemas usados para desbloquear o celular ou autorizar o acesso a determinados aplicativos, a informação biométrica costuma ser processada diretamente pelo dispositivo.

Em vez de simplesmente armazenar uma fotografia do rosto ou uma imagem da impressão digital, o aparelho transforma essas características em uma representação matemática. Esse registro fica armazenado em uma área protegida do dispositivo e é utilizado para verificar se a pessoa que está tentando acessar o aparelho corresponde ao usuário autorizado.

Isso significa que, nesses casos, uma fotografia do rosto não precisa ser enviada para a empresa responsável pelo aplicativo.

A situação pode ser diferente quando o usuário precisa enviar uma selfie como prova de identidade ou de vida. A imagem pode ser transmitida de forma criptografada para servidores da empresa ou de serviços especializados. Dependendo da tecnologia empregada, características do rosto são convertidas em um código matemático usado na comparação da identidade.

Por isso, antes de fornecer uma selfie, é importante entender qual é a finalidade da coleta e quem será responsável pelo tratamento daquele dado.

Biometria é dado pessoal sensível

No Brasil, informações biométricas são classificadas como dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Na prática, isso significa que empresas e organizações que coletam esse tipo de informação precisam informar ao usuário a finalidade da coleta e adotar medidas de segurança para evitar acesso indevido, vazamentos ou uso incompatível com o objetivo informado.

A organização também deve observar as regras aplicáveis à retenção e à eliminação dos dados quando eles deixarem de ser necessários para a finalidade que justificou sua coleta.

O cuidado é especialmente importante porque uma senha pode ser trocada depois de um vazamento. Uma impressão digital ou as características do rosto, por outro lado, são atributos físicos que acompanham a pessoa.

Como reduzir os riscos

A biometria não é, por si só, um sinal de perigo. Em muitos casos, ela pode tornar uma conta mais difícil de ser acessada por terceiros. O problema está em fornecer dados sensíveis sem saber como serão utilizados, armazenados ou compartilhados.

Algumas medidas ajudam a aumentar a proteção:

  • Ative a verificação em duas etapas em contas de e-mail, redes sociais, serviços bancários e outras plataformas importantes. Quando disponível, dê preferência a aplicativos autenticadores ou chaves de segurança em vez de códigos enviados por SMS.
  • Evite reutilizar senhas. Um gerenciador de senhas pode ajudar a criar e armazenar combinações longas, exclusivas e difíceis de descobrir.
  • Proteja o chip do celular com um PIN. A medida dificulta que alguém que tenha acesso ao aparelho utilize o cartão SIM em outro telefone para receber códigos de recuperação de contas.
  • Desconfie de pedidos inesperados de selfie. Antes de enviar uma imagem do rosto, verifique se o pedido veio realmente do aplicativo ou serviço utilizado e qual é a finalidade da coleta.
  • Leia as informações de privacidade quando um serviço solicitar biometria. Procure entender quem coleta os dados, para que eles serão usados e se poderão ser compartilhados com terceiros.

Segurança sem abrir mão da praticidade

O avanço da biometria acompanha uma mudança na forma como as pessoas comprovam sua identidade no ambiente digital. Em vez de memorizar senhas, o usuário pode ser reconhecido por uma característica que já carrega consigo.

A tecnologia pode tornar o acesso mais rápido e dificultar fraudes, mas também aumenta a responsabilidade de empresas e usuários na proteção dessas informações.

O principal cuidado, portanto, não é evitar toda utilização de biometria. É saber quando ela está sendo solicitada, por quem, para qual finalidade e onde os dados podem ser armazenados.

Em um ambiente digital cada vez mais dependente de reconhecimento facial e impressão digital, entender essas diferenças pode ser tão importante quanto criar uma senha forte.

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