
Minas Gerais registrou 5.731 vítimas de estupro e estupro de vulnerável em 2025, o equivalente a quase 16 casos por dia. Desse total, 4.312 foram classificados como estupro de vulnerável, o que significa que aproximadamente três em cada quatro ocorrências envolveram crianças menores de 14 anos ou pessoas que, por enfermidade, deficiência ou outra condição, não podiam oferecer resistência ou consentir validamente.
Os dados foram divulgados na quinta-feira (23), na 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento reúne informações das secretarias estaduais de Segurança Pública e contabiliza o número de vítimas de crimes consumados.
A predominância do estupro de vulnerável chama mais atenção do que a redução observada no total das ocorrências. Minas teve queda de 2,5% na comparação com 2024, quando foram registradas 5.857 vítimas, mas o recuo foi desigual entre as categorias. Os casos de estupro caíram 6,5%, enquanto os de estupro de vulnerável diminuíram apenas 1,1%, passando de 4.345 para 4.312 vítimas.
As mulheres e meninas formaram a maioria absoluta das vítimas no estado. Foram 4.913 registros envolvendo pessoas do sexo feminino, o equivalente a 85,7% do total. Entre elas, 3.603 sofreram estupro de vulnerável, enquanto outras 1.310 foram vítimas de estupro fora dessa classificação.
A taxa mineira ficou em 26,8 vítimas para cada 100 mil habitantes, abaixo da média brasileira, de 39,5. Considerando apenas mulheres, foram 45 vítimas por 100 mil, também abaixo da taxa nacional, de 67,7. O próprio anuário, porém, alerta que índices menores não devem ser interpretados automaticamente como menor incidência da violência sexual, porque podem refletir dificuldades de denúncia, acesso limitado aos serviços de proteção e baixa confiança nas instituições.
A ressalva é especialmente importante quando os crimes envolvem vítimas vulneráveis, já que muitas dependem de adultos para denunciar e podem permanecer expostas ao agressor por longos períodos. O levantamento nacional mostra ainda que os autores costumam ser conhecidos das vítimas e que a residência aparece com frequência como local das agressões, embora esses detalhes não estejam discriminados especificamente para Minas na tabela estadual.
O anuário também apresenta um ranking das dez cidades com as maiores taxas de estupro e estupro de vulnerável entre municípios com mais de 100 mil habitantes. Nenhuma cidade mineira aparece nessa lista, liderada por Boa Vista, em Roraima, Ariquemes, em Rondônia, e Sinop, em Mato Grosso. A ausência, no entanto, não permite comparar Belo Horizonte ou os municípios da Região Metropolitana, porque a base publicada não traz uma tabela municipal completa com todos os registros de Minas.
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