
O governo federal anunciou na quarta-feira (22) uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, que disponibilizará R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas brasileiras impactadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, pelos conflitos internacionais e pelo aumento de medidas protecionistas no comércio global.
Do total previsto, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos produtivos, além da prospecção e abertura de novos mercados internacionais.
A ampliação do programa será viabilizada por uma Medida Provisória encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional. O texto autoriza o uso de recursos do Tesouro Nacional em conjunto com recursos próprios do BNDES para financiar empresas atingidas pelos impactos do cenário internacional.
Segundo o governo, o plano de aplicação dos recursos será elaborado pelo BNDES e submetido à aprovação de um conselho interministerial, cuja composição e funcionamento serão definidos por decreto. O objetivo é direcionar os financiamentos conforme os impactos enfrentados por cada setor e sua importância estratégica para a economia brasileira.
Além da nova medida provisória, foi sancionado o Projeto de Lei de Conversão nº 7/2026, que amplia o alcance do Programa Brasil Soberano.
Inicialmente voltado para exportadores da indústria e seus fornecedores, o programa passa a incluir empresas e cooperativas ligadas à agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura e mineração.
A nova legislação também autoriza que os recursos destinados à inovação tecnológica sejam utilizados para adequar produtos e processos às exigências sanitárias, ambientais, fitossanitárias, de rastreabilidade e de conformidade exigidas pelo mercado internacional.
Entre os principais beneficiários estão empresas atingidas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos com base nas Seções 232 e 301 da legislação comercial norte-americana.
A Seção 232 afeta setores como:
Já as medidas da Seção 301 atingem segmentos como:
O programa também atenderá empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.
Além dos exportadores afetados pelas tarifas e pelos conflitos internacionais, o governo prevê apoio a setores considerados estratégicos para a balança comercial e para a segurança produtiva do país.
Entre eles estão:
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova etapa do Plano Brasil Soberano busca fortalecer a competitividade das empresas brasileiras, reduzir os impactos das barreiras comerciais impostas por outros países e ampliar a presença dos produtos nacionais em novos mercados internacionais.
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