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A pedido da Polícia Federal, Mendonça autorizou quebra de sigilos de Lulinha antes da CPMI do INSS

Decisão do ministro do STF atendeu a pedido da Polícia Federal e ocorreu ainda em janeiro; autorização estava sob sigilo e antecede deliberação da CPMI do INSS

26/02/2026 às 17h12
Por: Cristiane Cirilo
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JUCA VARELLA/ESTADÃO CONTEÚDO
JUCA VARELLA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, antes mesmo da aprovação da medida pela CPMI do INSS, nesta quinta-feira (26).

A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal e ocorreu ainda em janeiro deste ano. A autorização para acesso aos dados tramita sob sigilo judicial.

Fábio Luís é filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a PF, investigações sobre desvios em descontos de aposentados e pensionistas do INSS passaram a mencionar o nome de Lulinha por meio de citações feitas por terceiros.

Relatórios apontam que ele pode ter sido citado como possível sócio oculto de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como principal operador do esquema investigado. No entanto, os próprios investigadores destacam que não há, até o momento, elementos que comprovem participação direta de Fábio Luís nos fatos apurados.

Um dos documentos da Polícia Federal ressalta que as informações colhidas indicam “menções realizadas por terceiros e vínculos indiretos”, recomendando cautela na análise e verificação rigorosa dos dados para evitar conclusões precipitadas, especialmente diante do cenário de polarização política no país.

O suposto elo entre Lulinha e o grupo investigado seria a empresária Roberta Luchsinger, alvo de busca e apreensão da Operação Sem Desconto, que apura os desvios no INSS.

Mesmo com a decisão judicial já existente, a CPMI do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva. O requerimento afirma que a medida é tecnicamente necessária para esclarecer se há ou não vínculo financeiro entre ele e o grupo investigado.

O documento também cita transações financeiras, viagens em comum e registros de passagens aéreas como elementos que motivaram o pedido de rastreamento de fluxo financeiro, com o objetivo de verificar eventual integração de recursos ilícitos.

A investigação segue em andamento, e as autoridades afirmam que todas as apurações serão conduzidas com base técnica, sem interferências externas ou narrativas políticas.

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