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Trabalhadores da Copasa denunciam transferências forçadas e aumento de adoecimento mental

Sindicato afirma que cerca de 3 mil funcionários estão sendo removidos para outras cidades e cobra suspensão das medidas; denúncias foram debatidas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

06/07/2026 às 10h51
Por: Cristiane Cirilo
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Alexandre Netto - Participantes da audiência pública
Alexandre Netto - Participantes da audiência pública

Trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) denunciaram, na sexta-feira (3), um processo de precarização das condições de trabalho e aumento dos casos de adoecimento mental após a privatização da empresa. As reclamações foram apresentadas durante audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que reuniu representantes sindicais, parlamentares e integrantes do Ministério do Trabalho.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais (Sindágua), aproximadamente 3 mil funcionários estão sendo submetidos a transferências compulsórias para outras cidades, mesmo com a garantia de estabilidade por 18 meses prevista após a conclusão da privatização da companhia.

De acordo com o diretor financeiro do Sindágua, Wanderci Gomes, trabalhadores que atuam há décadas no mesmo município estão sendo comunicados por e-mail sobre a necessidade de assumir funções em outras unidades, algumas localizadas a até 900 quilômetros de suas residências.

O sindicato afirma que os auxílios financeiros oferecidos pela empresa são insuficientes para custear a mudança. Segundo a entidade, não há ajuda de custo para deslocamentos de até 75 quilômetros. Entre 75 e 150 quilômetros, o valor pago é de R$ 1.621. Para distâncias superiores, a indenização corresponde a, no máximo, um salário do trabalhador.

Ainda conforme o Sindágua, muitos funcionários se sentem pressionados a aceitar as transferências ou pedir demissão, diante da falta de apoio psicológico, das dificuldades financeiras para mudança e dos impactos sobre a vida familiar.

Durante a audiência, representantes sindicais também chamaram atenção para o agravamento da saúde mental dos empregados. Segundo Wanderci Gomes, há registro de três casos de suicídio que podem estar relacionados ao ambiente de trabalho após a privatização.

A coordenadora do Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalhador, Marta de Freitas, criticou a condução do processo e afirmou que a empresa não estaria observando a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo fatores psicossociais.

"Nunca vi tanta maldade. De todos os processos de privatização que vivenciei, o da Copasa é inédito", afirmou.

O superintendente regional do Ministério do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Alberto Calazans, informou que o órgão irá discutir as denúncias apresentadas. Segundo ele, uma reunião será marcada para tratar especificamente dos impactos da privatização sobre os trabalhadores da companhia.

Autor do pedido para realização da audiência, o deputado estadual Betão (PT) informou que solicitará a suspensão imediata das transferências até que os casos sejam analisados. O parlamentar também pretende apurar se a Copasa está consultando os trabalhadores e os sindicatos antes das mudanças e se está cumprindo as normas de saúde e segurança no trabalho.

Até o momento, a Copasa não havia se manifestado sobre as denúncias apresentadas durante a audiência pública.

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