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Presidente do Paraguai, Santiago Peña renuncia em meio à crise do Ueno Bank e à pressão por impeachment; veja o vídeo

Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (5), mandatário anunciou a saída do cargo em meio à crise financeira e à perda de apoio político; vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor previsto na Constituição

05/11/2026 às 13h36 Atualizada em 05/11/2026 às 13h53
Por: João Vitor Viana
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Reprodução
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. A decisão foi comunicada em um vídeo publicado na rede social X, depois que parlamentares da oposição e integrantes de seu próprio partido passaram a defender sua saída e apoiar um processo de impeachment no Congresso Nacional. Veja a declaração aqui!

No pronunciamento, Peña afirmou que decidiu deixar a Presidência para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. O mandatário também pediu desculpas à população caso tenha falhado durante sua gestão, mas não assumiu diretamente responsabilidade pela crise bancária. Ele declarou que sua prioridade continua sendo garantir que os clientes afetados recuperem o dinheiro depositado na instituição financeira.

A renúncia ocorreu após uma rápida perda de sustentação política. Na quarta-feira (4), 35 deputados apresentaram formalmente um pedido de impeachment contra Peña e também contra o vice-presidente Pedro Alliana. A situação se agravou nesta quinta, quando o Partido Colorado, legenda do presidente, anunciou apoio ao julgamento político. O ex-presidente Horacio Cartes, principal liderança da sigla, também retirou seu apoio ao governo.

Quem é Santiago Peña

Aos 47 anos, Santiago Peña Palacios é economista e integrante do Partido Colorado, uma das principais forças políticas do Paraguai. Ele assumiu a Presidência em 15 de agosto de 2023, após vencer as eleições daquele ano, com mandato previsto até agosto de 2028. Antes de chegar ao Executivo, ocupou o cargo de ministro da Fazenda e também teve atuação no Banco Central paraguaio.

Durante sua trajetória empresarial, Peña foi acionista do grupo econômico ligado ao Ueno Bank, o Grupo Vázquez, até março de 2025, quando já ocupava a Presidência. Essa relação se tornou um dos principais pontos de questionamento durante a crise, especialmente porque o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, havia dirigido a instituição financeira que antecedeu o Ueno Bank antes de assumir o comando do órgão regulador, por indicação de Peña.

O que provocou a renúncia

O principal fator para a crise foi a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, determinada na terça-feira (3). A instituição apresentou problemas graves de solvência, com índice de 5,56%, menos da metade do mínimo regulatório de 12%. Também foram identificadas irregularidades na documentação de operações de crédito, problemas na avaliação de ativos e empréstimos a empresas relacionadas ao grupo controlador.

A intervenção interrompeu os serviços do banco, incluindo operações pelo aplicativo, cartões e transferências. A instituição, que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes, também administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos, entre eles valores relacionados ao sistema de previdência e à saúde. A situação deixou milhares de correntistas sem acesso imediato ao próprio dinheiro e provocou protestos em Assunção, capital do país.

As acusações políticas contra Peña envolvem possíveis conflitos de interesse, utilização de recursos públicos e previdenciários, além de questionamentos sobre a atuação dos órgãos de fiscalização. Os parlamentares também apontaram a nomeação de Carlos Carvallo para a presidência do Banco Central, considerando sua relação profissional anterior com o Ueno. Carvallo apresentou sua renúncia na terça-feira, a pedido do próprio presidente, após o início do processo de resolução da instituição financeira. As acusações ainda dependem de investigação e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal de Peña.

Quem assume a Presidência

O sucessor constitucional de Santiago Peña é o atual vice-presidente, Pedro Alliana, também integrante do Partido Colorado. A Constituição paraguaia estabelece, no artigo 234, que, em caso de vacância definitiva da Presidência, o vice-presidente assume o cargo e completa o período de governo.

Entretanto, a renúncia precisa ser formalmente aceita pelo Congresso Nacional. O artigo 202 da Constituição atribui ao Legislativo a competência de aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente e do vice-presidente. Portanto, a efetivação da sucessão depende dos procedimentos institucionais correspondentes. Caso assuma, Alliana deverá permanecer no cargo até agosto de 2028, quando termina o atual mandato.

Pedro Alliana tem 52 anos e pertence ao mesmo partido de Peña. Foi governador do departamento de Ñeembucú, deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados antes de assumir a Vice-Presidência em 2023. A eventual chegada ao comando do Executivo representa uma mudança na liderança do governo, mas não significa, necessariamente, alteração imediata na composição política que sustenta o Partido Colorado.

Como fica o Paraguai agora?

A saída de Peña abre uma nova etapa de instabilidade política, com o desafio imediato de garantir a continuidade administrativa e recuperar a confiança da população nas instituições. A situação também exige respostas para os correntistas do Ueno Bank, que aguardam a restituição dos depósitos, e para os trabalhadores e aposentados que dependiam de recursos movimentados pela instituição.

O Congresso terá papel central nos próximos passos, tanto na formalização da renúncia quanto na condução dos processos políticos apresentados contra Peña e Alliana. A Constituição prevê que o julgamento político seja iniciado pela Câmara dos Deputados, por maioria de dois terços, e concluído pelo Senado, que também precisa de dois terços dos votos para declarar a culpa e afastar a autoridade. Caso a Vice-Presidência também fique vaga, o artigo 234 estabelece regras específicas para seu preenchimento.

No campo econômico, o governo terá de lidar com os efeitos da intervenção bancária, assegurar mecanismos de proteção aos depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro. A crise também colocou sob pressão a imagem do Paraguai como destino de investimentos estrangeiros. Apesar da mudança no comando do Executivo, as investigações sobre o Ueno Bank e as responsabilidades de autoridades e dirigentes da instituição deverão continuar.

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