
A Chilli Beans, rede brasileira de óculos e acessórios fundada pelo empresário Caito Maia, entrou com pedido de recuperação extrajudicial na sexta-feira (30) para renegociar uma dívida financeira de R$ 340 milhões. O plano foi acordado com os principais credores e prevê um aporte de até R$ 50 milhões para reforçar o caixa e financiar a reestruturação da companhia.
O acordo envolve o Itaú, a Akron Capital e a Vega Asset, que atuam como financiadores âncoras e coordenam a entrada dos novos recursos. Segundo a empresa, a renegociação contempla apenas obrigações financeiras com instituições credoras. Fornecedores, funcionários e outros parceiros comerciais não estão incluídos no processo.
A medida busca reorganizar os compromissos financeiros da companhia e criar condições para manter as operações e os planos de crescimento. A Chilli Beans se prepara para completar 30 anos de história em 2027 e mantém uma rede de aproximadamente 900 unidades no Brasil, além de presença em mais de 14 países.
Por que a Chilli Beans pediu recuperação extrajudicial?
A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a uma empresa negociar diretamente com seus credores novas condições para o pagamento de dívidas. O acordo pode ser submetido posteriormente à Justiça para homologação.
Diferentemente da recuperação judicial, em que o processo de reorganização financeira ocorre sob supervisão judicial desde o início, a modalidade extrajudicial começa com uma negociação entre a companhia e seus credores.
No caso da Chilli Beans, o objetivo é ajustar os prazos e as condições de pagamento de uma dívida de R$ 340 milhões. A empresa não divulgou detalhes sobre eventuais descontos, períodos de carência ou o cronograma de quitação dos valores.
Segundo informações divulgadas pela revista Exame, o fundador Caito Maia atribuiu o endividamento principalmente ao aumento dos juros, que encareceu os compromissos financeiros da empresa e pressionou o caixa, além do crescimento da inadimplência entre parte dos franqueados.
De acordo com o empresário, a inadimplência da rede chegou a aproximadamente 22% no período posterior à pandemia, depois de historicamente permanecer próxima de 3%. Atualmente, segundo Maia, o índice está na faixa de 4%.
Credores devem aportar até R$ 50 milhões
Além da renegociação das dívidas, o plano prevê a entrada de até R$ 50 milhões em novos recursos, disponibilizados pelos próprios credores envolvidos no acordo.
O Itaú, a Akron Capital e a Vega Asset participam da coordenação do financiamento. A expectativa é que o aporte ajude a empresa a reorganizar sua estrutura financeira e sustentar as atividades durante o processo.
Em declaração à Exame, o vice-presidente da Chilli Beans, Andre Dela Togna, afirmou que o investimento representa um reforço para a execução da estratégia de crescimento da companhia.
Os representantes dos credores também demonstraram confiança na capacidade de recuperação da marca. A avaliação é de que a reorganização das dívidas pode permitir que a empresa concentre esforços na operação, na relação com franqueados e fornecedores e na retomada do crescimento.
Faturamento chegou a R$ 1 bilhão em 2025
Apesar dos problemas financeiros, a Chilli Beans registrou crescimento no faturamento nos últimos anos. Segundo dados divulgados pela Exame, a receita passou de R$ 890 milhões em 2023 para R$ 1 bilhão em 2025.
Para 2026, entretanto, a expectativa da companhia é de faturamento de R$ 940 milhões, uma redução de aproximadamente 6% em relação ao ano anterior.
A empresa também mantém os planos de expansão. Somente em outubro, foram abertas nove novas unidades no Brasil e outras quatro na América do Sul, segundo informações divulgadas pela companhia.
A estratégia para os próximos anos inclui ampliar a presença internacional, lançar produtos e desenvolver parcerias com marcas e artistas. Entre os projetos anunciados estão uma coleção comemorativa dos dez anos de parceria com o DJ Alok e uma colaboração com a marca BAW Clothing.
Marca foi criada em 1997
Fundada em 1997 por Caito Maia, a Chilli Beans começou com a venda de óculos e se transformou em uma das principais redes do segmento na América Latina.
O empresário contou que começou a vender óculos para conseguir pagar as despesas enquanto tentava construir uma carreira na música. A atividade comercial acabou se tornando o negócio que deu origem à marca.
Atualmente, a companhia reúne diferentes formatos de operação, incluindo lojas tradicionais de óculos de sol, unidades da Ótica Chilli Beans, voltadas também para produtos de grau, e projetos de expansão em cidades menores.
Com a recuperação extrajudicial, a empresa busca reorganizar as finanças e preservar a operação da rede enquanto mantém os planos de expansão. O desafio será equilibrar o pagamento das dívidas, a relação com os franqueados e a continuidade dos investimentos em um cenário de juros elevados e dificuldades para o varejo.
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