
O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia nesta terça-feira (3), após a intervenção no Ueno Bank, instituição financeira que teve as atividades encerradas por determinação das autoridades reguladoras. A saída foi solicitada pelo presidente paraguaio, Santiago Peña, em meio à crise provocada pela situação financeira do banco.
Apesar de ter formalizado o pedido, Carvallo afirmou que permanecerá temporariamente no cargo para acompanhar o processo de resolução da instituição. Segundo ele, o afastamento busca permitir que o Banco Central conduza os procedimentos sem interferências políticas e questionamentos sobre a atuação da autoridade monetária.
A decisão de intervir no Ueno Bank foi tomada por unanimidade pelo conselho do Banco Central na segunda-feira (2). De acordo com o órgão, a instituição apresentou um índice de solvência inferior a 50% do mínimo exigido pela legislação, após ajustes realizados em seus demonstrativos financeiros.
Banco tinha cerca de 3 milhões de clientes
O Ueno Bank possui aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões em recursos públicos. Entre os valores envolvidos estão cerca de US$ 380 milhões vinculados ao Instituto de Previdência Social do Paraguai (IPS), que reúne recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e outros benefícios.
A situação também gerou preocupação entre clientes que utilizavam o banco para receber benefícios e movimentar dinheiro. Com o encerramento das operações, os correntistas ficaram temporariamente impedidos de acessar contas, realizar transferências e utilizar cartões da instituição.
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai prevê cobertura de até 75 salários mínimos mensais por pessoa e por instituição financeira. O limite corresponde a aproximadamente 228,3 milhões de guaranis, ou US$ 38,6 mil. Segundo as estimativas preliminares divulgadas pelas autoridades, a garantia pode cobrir integralmente os depósitos de cerca de 97% dos clientes.
Oito pessoas são alvo de investigação
A crise também chegou à esfera judicial. O Ministério Público paraguaio determinou a prisão de oito pessoas ligadas à administração do banco, em uma investigação que apura suspeitas de administração irregular e outros possíveis crimes.
Entre os alvos estão executivos e integrantes da direção da instituição. As autoridades investigam, entre outros pontos, operações de crédito concedidas a empresas relacionadas aos controladores do banco.
Carvallo também passou a ser alvo de questionamentos sobre a fiscalização da instituição. Antes de assumir a presidência do Banco Central, em 2023, ele havia comandado a antiga financeira Ueno, que deu origem ao banco digital.
Peña, por sua vez, manteve vínculo empresarial com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. O presidente paraguaio afirmou que os responsáveis pela crise deverão responder à Justiça e anunciou um acordo com lideranças do Congresso para acelerar a aprovação de medidas destinadas a proteger os recursos dos depositantes e do setor público.
O Banco Central do Paraguai afirmou que considera o caso específico da instituição e declarou que a situação não representa, por si só, um problema generalizado no sistema financeiro do país.
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