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Endividamento de risco cresce 75% em cinco anos e atinge 20,3 milhões de brasileiros

Levantamento do Banco Central aponta que 17% dos devedores do sistema financeiro estão nessa situação. Entre as pessoas que recebem até dois salários mínimos, 42% da renda está comprometida com dívidas

28/10/2026 às 14h29
Por: Daniel Mendes
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Reprodução: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Reprodução: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O número de brasileiros em situação de endividamento de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, um crescimento de 75% em cinco anos. Os dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) na terça-feira (27), no Relatório de Estabilidade Financeira, e indicam que esse grupo representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional.

O cenário preocupa a autoridade monetária, principalmente pelo avanço de modalidades de crédito sem garantia, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais não consignados. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição pretende anunciar novas medidas ainda em 2026 para conter ofertas agressivas de crédito.

Dívidas comprometem renda das famílias

O levantamento mostra que o peso das dívidas é maior entre as pessoas de menor renda. Entre quem recebe até dois salários mínimos, 42% da renda está comprometida com débitos. Desse total, 15% correspondem a dívidas no cartão de crédito.

Já entre os brasileiros que ganham mais de dez salários mínimos, o comprometimento da renda com dívidas chega a 18,6%.

Para o Banco Central, o aumento do endividamento de risco indica maior vulnerabilidade financeira, especialmente entre consumidores que recorrem a modalidades de crédito com juros elevados.

Quem é considerado endividado de risco?

A classificação do Banco Central considera quatro critérios. Para entrar nessa categoria, o consumidor precisa se enquadrar em pelo menos dois deles:

Ter parcelas de crédito em atraso há mais de 90 dias;

Comprometer mais de 50% da renda mensal com dívidas;

Utilizar simultaneamente cheque especial, crédito pessoal não consignado e crédito rotativo;

Ficar com renda abaixo da linha da pobreza após o pagamento das dívidas.

Estar nessa categoria não significa necessariamente que a pessoa esteja inadimplente, mas indica maior risco de enfrentar dificuldades para manter os pagamentos em dia.

Banco Central prepara medidas para conter ofertas de crédito

Segundo Galípolo, as próximas iniciativas devem priorizar consumidores que já enfrentam dificuldades financeiras, utilizam o crédito rotativo do cartão ou acumulam atrasos.

Entre as medidas anunciadas pelo Banco Central estão mecanismos para bloquear publicidade e propostas ativas de crédito. Para consumidores considerados vulneráveis ou em risco de endividamento excessivo, determinadas ofertas dependerão de autorização prévia.

As regras de bloqueio de ofertas estão previstas para entrar em vigor em 31 de março de 2027. Outras medidas, programadas para julho do mesmo ano, incluem painéis digitais para consulta de dívidas e restrições a ofertas de empréstimos durante transações iniciadas pelo Pix.

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