
Três escritores mineiros estão entre os destaques da 68ª edição do Prêmio Jabuti, uma das mais tradicionais e importantes premiações do mercado editorial brasileiro. O jornalista e biógrafo Ruy Castro, o cronista Humberto Werneck e o escritor Leo Cunha foram reconhecidos em diferentes categorias na cerimônia realizada na noite de terça-feira (27), na Sala São Paulo, na capital paulista.
Nascido em Caratinga, no Vale do Rio Doce, Ruy Castro conquistou o prêmio de Livro do Ano com Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, publicado pela Companhia das Letras. A obra também venceu na categoria Biografia e Reportagem. O livro reconstitui o cotidiano do Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, período marcado pela ascensão do nazi-fascismo na Europa e pela Segunda Guerra Mundial, e mostra como o conflito repercutiu na política e na vida da então capital federal brasileira.
Esta é a segunda vez consecutiva que Ruy Castro recebe o principal reconhecimento do Jabuti. Em 2025, ele venceu com O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim, dedicado à trajetória do músico brasileiro. Pelo título de Livro do Ano em 2026, o escritor receberá R$ 70 mil e uma viagem para participar de uma feira internacional do livro em 2027, com despesas custeadas pela organização.
Outro mineiro premiado foi Humberto Werneck, vencedor na categoria Crônica com Viagem no país da crônica, publicado pela Tinta-da-China Brasil. Jornalista e escritor, Werneck tem uma trajetória ligada à imprensa e à produção literária brasileira. Já Leo Cunha venceu na categoria Infantil com A letra, escrito em parceria com Raquel Matsushita e publicado pela editora Maralto.
Organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti foi criado em 1958 e reconhece profissionais, obras e iniciativas que contribuem para a produção editorial e a literatura no Brasil. A premiação contempla diferentes etapas do universo do livro, incluindo escrita, pesquisa, ilustração, edição e projetos de incentivo à leitura.
Em 2026, a 68ª edição reuniu 23 categorias distribuídas em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Entre as áreas reconhecidas estão romance, poesia, conto, crônica, literatura infantil, biografia e reportagem, ilustração, tradução e projetos de incentivo à leitura. Os vencedores das categorias recebem uma estatueta e prêmio em dinheiro, enquanto o Livro do Ano tem uma premiação especial.
A edição deste ano também marcou a estreia da categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital, criada para reconhecer produtores de conteúdo que estimulam o hábito de ler por meio das redes sociais. O vencedor foi Pedro Pacífico, conhecido como Bookster. A escritora Lygia Bojunga foi homenageada como Personalidade Literária, em reconhecimento à sua trajetória e aos 50 anos de publicação de A Bolsa Amarela.
A presença de Ruy Castro, Humberto Werneck e Leo Cunha entre os vencedores reforça a participação de escritores ligados a Minas Gerais em diferentes vertentes da literatura brasileira, da crônica à produção infantil e à pesquisa histórica.
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