
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (22) que manifestações consideradas “ilegítimas” serão proibidas nos próximos dias. A medida foi anunciada após uma reunião com representantes dos serviços de inteligência e ministros, em meio à preocupação do governo com novos episódios de violência, saques e depredação registrados no país.
Macron afirmou que manifestações organizadas por entidades sindicais poderão ocorrer, mas com trajetos alternativos definidos pelas autoridades. O objetivo, segundo o governo, é proteger estabelecimentos comerciais e evitar novos confrontos nas ruas.
O presidente atribuiu parte da violência registrada no último fim de semana a grupos organizados de extrema-esquerda, que, segundo ele, teriam intenção de desestabilizar a República. Macron também defendeu uma resposta rigorosa aos atos de vandalismo e aos saques.
A decisão ocorre após os distúrbios de 17 de outubro, quando manifestações em diferentes cidades francesas terminaram em confrontos e depredações. Os episódios atingiram localidades como Paris, Marselha, Lyon e Limoges e ampliaram a pressão sobre as autoridades para reforçar a segurança.
Em Lyon, a segunda maior cidade da França, as manifestações previstas para sábado (24) foram proibidas pelas autoridades locais. Em outras regiões, medidas semelhantes também foram adotadas ou anunciadas para evitar novos episódios de violência.
Apesar das restrições, grupos estudantis e integrantes do movimento dos Coletes Amarelos planejam novos atos. O movimento, que ganhou força em 2018, reúne reivindicações relacionadas ao custo de vida e à qualidade dos serviços públicos.
A onda de protestos ocorre em um cenário de insatisfação com o aumento dos custos de energia, a pressão sobre o orçamento das famílias e as preocupações com a deterioração dos serviços públicos. A crise também alimenta disputas políticas sobre as causas dos distúrbios e a forma como o governo deve reagir.
As autoridades francesas tentam impedir que os próximos atos terminem em novos confrontos, enquanto movimentos sociais mantêm a intenção de levar suas reivindicações às ruas.
A proibição de manifestações consideradas ilegítimas deve ser aplicada pelas autoridades responsáveis pela segurança pública. O alcance das restrições varia conforme as decisões adotadas em cada cidade e as condições estabelecidas para os atos.
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