
O El Niño em curso pode se tornar um dos episódios mais intensos dos últimos 40 anos, com potencial para agravar ondas de calor, secas e inundações em diferentes partes do mundo. O alerta foi feito nesta quarta-feira (21) pela secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo a OMM, as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico devem atingir cerca de 3,8°C acima da média entre novembro e janeiro, com pico previsto para dezembro. Caso a projeção se confirme, o aquecimento poderá superar os níveis observados em episódios anteriores do fenômeno.
Calor intenso e mudanças no regime de chuvas
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
Os efeitos variam conforme a localização. Algumas áreas podem enfrentar períodos prolongados de seca e calor extremo, enquanto outras ficam mais expostas a chuvas intensas e inundações. As mudanças também podem comprometer a agricultura, o abastecimento de água e a infraestrutura urbana.
América Latina está entre as regiões sob risco
A América Latina está entre as regiões que podem sofrer impactos importantes, com possibilidade de alterações no regime de chuvas e ocorrência de eventos climáticos extremos. Na África, partes do continente também podem enfrentar secas severas e inundações, enquanto países do Sudeste Asiático e da região do Pacífico estão sujeitos a prejuízos na agricultura e no abastecimento de água.
No Brasil, projeções divulgadas por órgãos federais indicam maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e condições mais secas em áreas do Centro-Norte do país durante a primavera. As temperaturas também podem permanecer acima da média em grande parte do território nacional. Essas previsões representam tendências regionais e podem mudar conforme a evolução do fenômeno.
ONU pede preparação antecipada
Diante dos riscos, representantes das Nações Unidas defendem medidas preventivas para reduzir os impactos sobre as populações mais vulneráveis. Entre as preocupações estão a segurança alimentar, o acesso à água, a saúde pública e os danos causados por eventos extremos.
O El Niño não é causado pelo aquecimento global, pois faz parte de um ciclo climático natural. No entanto, o aumento das temperaturas médias do planeta pode intensificar seus efeitos e ampliar os riscos associados às ondas de calor e às mudanças nos padrões de precipitação.
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