
O presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu impedir novos episódios de violência durante os protestos previstos para sábado (24), após uma onda de distúrbios e saques registrada em diferentes cidades do país no último fim de semana. A declaração foi feita nesta quarta-feira (21), durante uma visita oficial ao Catar, enquanto o governo francês busca conter a crise social e reforçar a segurança.
A nova mobilização reúne integrantes do movimento Coletes Amarelos, conhecido pela oposição ao aumento do custo de vida, e grupos estudantis que reivindicam mais investimentos na educação. Os organizadores planejam uma marcha pelo centro de Paris, incluindo áreas afetadas pelos saques recentes.
Governo prepara reforço policial
Macron afirmou que pessoas que tentarem provocar desordem durante as manifestações serão impedidas de agir. O presidente também anunciou que se reunirá com autoridades de inteligência, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e outros integrantes do governo para avaliar os acontecimentos de 17 de outubro e definir medidas de segurança.
Lecornu, por sua vez, reuniu-se com representantes sindicais para tentar reduzir as tensões. As negociações, porém, não produziram avanços significativos, e organizações trabalhistas mantêm a pressão por melhores salários e serviços públicos. O governo também prevê uma operação de segurança reforçada para os próximos atos.
Protestos começaram por insatisfação social
As manifestações mais recentes reuniram centenas de milhares de pessoas em diferentes cidades francesas. Embora grande parte dos atos tenha ocorrido pacificamente, grupos violentos provocaram confrontos com a polícia, saques a estabelecimentos comerciais e danos a prédios públicos.
Paris, Marselha, Lyon e Limoges estiveram entre as cidades afetadas. Segundo autoridades francesas, cerca de 2,5 mil pessoas foram detidas após os protestos, e centenas de suspeitos foram encaminhados para responder judicialmente. O episódio é considerado um dos mais graves períodos de distúrbios no país nos últimos anos.
Macron critica declarações de líderes estrangeiros
Durante a visita ao Catar, o presidente francês também criticou comentários de líderes estrangeiros sobre a crise. Sem mencionar nomes inicialmente, Macron acusou políticos de explorar os acontecimentos para obter ganhos internos e disseminar informações falsas.
Questionado sobre as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que relacionou os distúrbios à imigração e ao islamismo radical, Macron respondeu que se referia a Trump, entre outros líderes.
A instabilidade também repercutiu no mercado financeiro: os rendimentos dos títulos públicos franceses de dez anos chegaram a 5%, o maior patamar desde julho de 2002, em meio à preocupação de investidores com os efeitos da crise sobre as contas públicas do país.
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