
Os Estados Unidos confirmaram pela primeira vez publicamente que mantêm armas de controle espacial em órbita da Terra. A informação foi divulgada na segunda-feira (14), durante uma conferência militar, pelo secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink.
Segundo o governo, os equipamentos têm como objetivo proteger forças e sistemas americanos de possíveis ações de adversários. As autoridades, no entanto, não informaram quantas armas estão em órbita, quando foram lançadas ou quais são suas características.
A Força Espacial dos EUA afirmou que essas capacidades podem ser empregadas tanto em operações defensivas quanto ofensivas. Os sistemas poderiam interferir, degradar ou, em determinadas circunstâncias, destruir equipamentos espaciais de outros países.
Uma das possibilidades é que as armas sejam utilizadas contra satélites considerados uma ameaça. Esses equipamentos são importantes para comunicação, navegação, vigilância e outras operações militares.
Ainda há poucas informações públicas sobre o programa. Entre as possibilidades estão sistemas de guerra eletrônica, capazes de interferir em comunicações, e equipamentos destinados a atingir fisicamente outros satélites. A segunda opção, porém, poderia provocar a formação de detritos em órbita.
A confirmação ocorre em meio ao aumento das preocupações dos Estados Unidos com os programas espaciais militares da China e da Rússia. Pequim criticou a iniciativa e pediu que Washington interrompa a expansão de capacidades militares voltadas ao espaço.
Os Estados Unidos também desenvolvem interceptadores espaciais que deverão integrar o sistema de defesa antimísseis conhecido como Golden Dome. Segundo Meink, esses equipamentos estão em preparação para voos, mas não há confirmação de que façam parte do armamento agora reconhecido em órbita.
O Tratado do Espaço Exterior, firmado em 1967, proíbe a colocação em órbita de armas de destruição em massa, como armas nucleares. O acordo não impede, porém, o desenvolvimento de outros tipos de sistemas militares capazes de interferir ou atacar satélites.
A revelação ocorre em um cenário de crescente disputa tecnológica e militar pelo domínio espacial, no qual Estados Unidos, China e Rússia vêm ampliando suas capacidades para proteger seus próprios satélites e afetar sistemas de possíveis adversários.
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