
O rendimento do título do Tesouro dos Estados Unidos de referência, com vencimento em dez anos, superou nesta segunda-feira (14) a marca de 5%, o nível mais alto desde outubro de 2023. Segundo analistas, o patamar representa um limiar psicológico importante para os mercados, com potencial de gerar repercussões na economia americana e ameaçar a valorização das ações no país ao tornar os investimentos em renda fixa relativamente mais atrativos.
A disparada nos rendimentos ocorre porque investidores passaram a precificar a possibilidade de o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manter a taxa básica de juros elevada por mais tempo do que o previsto, reação a um salto recente nos preços do petróleo, que reacendeu temores de novas pressões inflacionárias em um cenário no qual a inflação já se mantém bem acima da meta anual de 2% estabelecida pela autoridade monetária americana. Com o movimento desta segunda-feira, o rendimento do título de 10 anos avançava 2,89 pontos-base, para 5,004%.
Por que o petróleo pesa nos juros americanos?
A alta do petróleo que pressiona os rendimentos dos títulos do Tesouro está diretamente ligada à escalada de tensões no Golfo Pérsico, incluindo ataques a instalações energéticas na Arábia Saudita e o fechamento praticamente total do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo negociado no mundo.
Como o petróleo mais caro tende a se refletir em preços mais altos de combustíveis e bens de consumo, o mercado tem reagido reprecificando o risco de uma inflação mais persistente nos Estados Unidos, o que reduz as chances de cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.
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