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Matrículas de estudantes migrantes avançam na rede municipal de Belo Horizonte

Rede Municipal de Educação atende 858 alunos de 37 nacionalidades e amplia ações de acolhimento e ensino do português

10/09/2026 às 16h38
Por: João Vitor Viana
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Cláudio Lacerda | Smed
Cláudio Lacerda | Smed

A Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte registra crescimento expressivo no número de estudantes migrantes matriculados. Atualmente, são 858 alunos de 37 nacionalidades, sendo 737 atendidos diretamente pela rede municipal e 121 pela Rede Parceira de Educação Infantil. Os estudantes vêm de países como Venezuela, Cuba, Síria, Japão, Angola, México e Alemanha.

Desde o início do acompanhamento sistemático desse público, em 2024, o número de matrículas aumentou mais de 500%. O movimento de chegada de crianças e adolescentes migrantes ganhou força a partir de 2020, principalmente com estudantes vindos da Venezuela, Cuba, Bolívia e Síria. Hoje, 205 escolas da capital recebem alunos de diferentes países e culturas.

Um dos exemplos desse processo é William, de 4 anos, filho de chineses e nascido no Brasil. Ao ingressar na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Vila Estrela, no bairro Santo Antônio, ele enfrentava dificuldades para compreender e se comunicar em português, já que o mandarim era a principal língua utilizada em casa. Com acompanhamento da equipe escolar e da Secretaria Municipal de Educação (Smed), o menino passou a desenvolver novas formas de comunicação e participação nas atividades.

A mudança ganhou força com o trabalho do Núcleo de Políticas Educacionais para Estudantes em Situação de Migração (Nupem), que atua na orientação das escolas e no desenvolvimento de estratégias específicas para esse público. Segundo a diretora da Emei Vila Estrela, Juliana Sá Brandão, o contato inicial foi marcado por dificuldades de comunicação e adaptação, mas o acompanhamento especializado contribuiu para a evolução do estudante.

Uma das estratégias adotadas é o Português como Língua de Acolhimento (PLAc). A proposta busca ensinar o idioma a partir de situações do cotidiano escolar, utilizando atividades lúdicas e recursos que facilitem a interação entre os estudantes. No caso de William, o trabalho envolveu cores, formas geométricas e frutas, além de atividades realizadas individualmente e em grupo.

A professora Nícia Souza Carvalho, integrante do Nupem, explica que o objetivo é fazer com que o estudante desenvolva o português ao mesmo tempo em que participa da rotina escolar. Em uma das atividades, William passou a repetir palavras e identificar cores e formas em português. Até então, ele se comunicava principalmente por meio de gestos e permanecia mais reservado durante as interações.

Além do atendimento individualizado, as escolas também recebem materiais pedagógicos e orientações para desenvolver atividades coletivas que valorizem as culturas de origem dos estudantes. Música, dança, costumes e alimentação são utilizados como elementos de aproximação e integração entre os alunos.

A Smed também oferece orientações específicas para o processo de matrícula, apoio técnico às equipes escolares e materiais bilíngues. Na Emei Vila Estrela, por exemplo, foram produzidos recursos em português, mandarim e inglês para facilitar a comunicação com William e sua família, além de materiais em espanhol para outro estudante migrante.

As ações fazem parte de uma política mais ampla de acolhimento, que inclui dois guias de orientação para as escolas, atendimento em Português como Língua de Acolhimento e uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA) voltada para famílias indígenas Warao. A proposta é garantir que estudantes migrantes tenham acesso à educação e possam participar plenamente da vida escolar, preservando também suas histórias, culturas e identidades.

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