16°C 27°C
Belo Horizonte, MG
Publicidade

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,65 bilhões; veja como consultar

Mais de 23,5 milhões de pessoas físicas têm valores a receber; sistema do Banco Central também permite resgate por empresas

09/09/2026 às 12h45
Por: Cristiane Cirilo
Compartilhe:
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O total de dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras chegou a R$ 5,65 bilhões em julho, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (8). O valor aumentou em relação aos R$ 5,12 bilhões registrados no mês anterior.

Do total disponível, R$ 4,25 bilhões pertencem a 23,57 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,40 bilhão estão disponíveis para aproximadamente 2,19 milhões de empresas.

Os valores podem ser consultados gratuitamente pelo Sistema de Valores a Receber (SVR), plataforma do Banco Central que permite localizar recursos deixados em bancos, administradoras de consórcios, cooperativas de crédito, instituições de pagamento e outras empresas do sistema financeiro.

Maioria dos valores é de até R$ 10

Apesar do montante bilionário, a maior parte dos beneficiários tem quantias pequenas para receber.

Segundo o Banco Central, 69,45% dos beneficiários possuem entre R$ 0,01 e R$ 10. Outros 18,97% têm valores entre R$ 10,01 e R$ 100.

Já 9,35% possuem entre R$ 100,01 e R$ 1 mil. Apenas 2,22% dos beneficiários têm mais de R$ 1 mil disponíveis.

Os recursos podem ter diferentes origens, como contas bancárias encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, valores de consórcios encerrados e cotas de cooperativas de crédito.

Bancos concentram maior parte do dinheiro

Os bancos são responsáveis pela maior parcela dos recursos ainda disponíveis no sistema.

A distribuição dos valores é a seguinte:

  • Bancos: R$ 2,38 bilhões;
  • Administradoras de consórcios: R$ 1,96 bilhão;
  • Cooperativas: R$ 762,7 milhões;
  • Instituições de pagamento: R$ 353,4 milhões;
  • Financeiras: R$ 114,6 milhões;
  • Corretoras e distribuidoras: R$ 69,4 milhões;
  • Outras instituições: R$ 4,5 milhões.

Mais de R$ 16 bilhões já foram devolvidos

Desde a criação do Sistema de Valores a Receber, o Banco Central já devolveu mais de R$ 16 bilhões aos titulares.

Até julho, cerca de R$ 11,9 bilhões haviam sido destinados a pessoas físicas e aproximadamente R$ 4,2 bilhões, a empresas.

Somando o dinheiro já devolvido ao estoque que continua disponível, o sistema identificou cerca de R$ 21,8 bilhões em valores a receber.

Somente em julho, aproximadamente R$ 323 milhões foram resgatados.

Parte dos recursos foi destinada a programas de renegociação

Uma parcela dos valores que estavam no sistema foi utilizada pelo governo federal em programas de renegociação de dívidas.

Recursos cujos direitos foram transferidos para a União foram destinados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), utilizado para oferecer garantias em programas como o Desenrola.

A movimentação ajudou a reduzir o estoque disponível nos meses anteriores. Em julho, porém, o total voltou a crescer.

Como consultar o dinheiro esquecido

A consulta pode ser feita gratuitamente pelo Sistema de Valores a Receber do Banco Central.

Na primeira etapa, pessoas físicas precisam informar CPF e data de nascimento. Empresas devem utilizar o CNPJ e as informações solicitadas pela plataforma.

Caso sejam encontrados valores, o usuário precisa acessar o sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro para solicitar o resgate.

O procedimento inclui:

  1. Acessar o Sistema de Valores a Receber;
  2. Informar CPF e data de nascimento ou CNPJ;
  3. Verificar se existem valores disponíveis;
  4. Entrar no sistema utilizando uma conta Gov.br de nível prata ou ouro;
  5. Ler e aceitar o termo de responsabilidade;
  6. Conferir o valor e a instituição responsável pela devolução;
  7. Solicitar o pagamento de acordo com as opções disponíveis.

Quando aparece a opção “Solicitar por aqui”, o dinheiro pode ser devolvido por Pix. Caso a modalidade não esteja disponível, o sistema orienta o usuário a entrar em contato diretamente com a instituição responsável.

Resgate automático

Desde maio de 2025, pessoas físicas também podem habilitar o resgate automático de valores a receber.

A adesão é opcional e exige conta Gov.br de nível prata ou ouro, verificação em duas etapas ativada e uma chave Pix vinculada ao CPF.

Com a função habilitada, valores que se tornarem elegíveis podem ser depositados automaticamente na conta cadastrada, sem que seja necessário fazer uma nova solicitação a cada recurso identificado.

Banco Central alerta para golpes

O Banco Central reforça que o serviço é gratuito e que a consulta deve ser feita exclusivamente pelos canais oficiais.

O BC não envia links nem entra em contato para pedir senhas, códigos de autenticação ou pagamentos para liberar valores.

Por isso, a orientação é não clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp, Telegram ou e-mail e não fornecer dados pessoais ou códigos de segurança.

Também não é necessário pagar qualquer taxa para receber o dinheiro. O cidadão deve conferir diretamente no Sistema de Valores a Receber qual instituição é responsável pela devolução.

O sistema também permite consultar valores pertencentes a pessoas falecidas. Nesse caso, o acesso é destinado a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, conforme as regras estabelecidas pelo Banco Central.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.