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Etanol fica mais caro em Minas e perde parte da vantagem sobre a gasolina

Preço do biocombustível avançou 2,28% no Estado em agosto; em Belo Horizonte, alta chegou a 8,58%, segundo dados da ANP

07/09/2026 às 18h28
Por: João Vitor Viana
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Agência Brasil
Agência Brasil

O preço do etanol voltou a subir nos postos de Minas Gerais e reduziu parte da vantagem que o combustível ainda mantém sobre a gasolina. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o litro do etanol avançou 2,28% no Estado durante agosto. Em Belo Horizonte, a alta foi ainda mais expressiva, chegando a 8,58% no mesmo período. 

Na capital mineira, o preço médio passou de R$ 3,73 na primeira semana de agosto para R$ 4,05 na semana de 23 a 29 de agosto. O movimento ocorreu depois de o combustível chegar a ser encontrado por R$ 2,99 em alguns postos de Belo Horizonte, evidenciando a forte diferença entre estabelecimentos e a rápida mudança nos preços ao longo do mês. Não é incomum o combustível ser encontrado a R$ 4,19 em vários postos.

Em Minas, apesar da alta, o etanol ainda permanece competitivo para os proprietários de veículos flex. A gasolina também ficou mais cara durante agosto, mas em ritmo menor: o preço médio avançou 1,78% no Estado. Com isso, a diferença entre os dois combustíveis diminuiu, mas o biocombustível ainda apresenta vantagem econômica em boa parte do mercado mineiro.

A alta não ocorre de forma isolada em Minas. O mercado nacional também começou a registrar uma mudança de trajetória depois de um longo período de queda. No levantamento referente à semana de 31 de agosto a 6 de setembro, o preço médio do etanol hidratado subiu 0,96% no país, passando de R$ 4,15 para R$ 4,19 por litro. Treze estados registraram alta no período.

Um dos fatores que ajudam a explicar esse comportamento está no mercado produtor. O preço do etanol nas usinas influencia diretamente o custo de aquisição das distribuidoras e, posteriormente, pode ser repassado aos postos e consumidores. Levantamentos recentes apontaram aumento das cotações do biocombustível em importantes regiões produtoras, incluindo São Paulo, Goiás e Mato Grosso.

Outro elemento importante é a dinâmica da safra de cana-de-açúcar. O período de moagem, a disponibilidade de matéria-prima, as condições climáticas e a decisão das usinas entre produzir açúcar ou etanol interferem na oferta do biocombustível. Quando a oferta fica mais apertada ou a produção é direcionada para o açúcar, os preços do etanol podem ganhar pressão.

A relação com a gasolina também pesa. Como os dois combustíveis disputam o consumidor de veículos flex, mudanças no preço da gasolina alteram a competitividade do etanol. Em Minas Gerais, a gasolina também apresentou aumento em agosto, mas em intensidade inferior à do etanol. Em Belo Horizonte, por exemplo, a gasolina passou de R$ 6 para R$ 6,32, alta de 5,33%, enquanto o etanol avançou 8,58%.

Para os próximos dias, portanto, o comportamento dos preços dependerá principalmente da evolução das cotações nas usinas, da oferta de etanol e das condições do mercado de combustíveis. A tendência recente de alta nacional indica que o consumidor mineiro pode continuar encontrando preços acima dos registrados no início de agosto, embora os valores possam variar significativamente de um posto para outro.

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