
A Petrobras confirmou a presença de petróleo em águas profundas na costa do Amapá, em uma descoberta que pode abrir uma nova frente de exploração na Margem Equatorial. O poço Morpho fica a cerca de 175 quilômetros do litoral de Oiapoque e a quase 500 quilômetros da foz do rio Amazonas.
A empresa ainda não sabe quanto petróleo há no local nem se a área terá produção comercial. A perfuração continuará por mais 15 a 20 dias, período em que serão coletadas informações para avaliar o volume e as características do reservatório.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta pode ajudar a recompor as reservas brasileiras, mas ressaltou que ainda não é possível projetar o tamanho da jazida.
“Se tudo der certo, e tudo está dando certo até agora, a gente tem o condão de produzir numa área que pode ajudar de uma maneira muito importante a recomposição das reservas da Petrobras e do Brasil”, disse.
A confirmação ocorre depois de a Petrobras ter identificado, na semana passada, a presença de hidrocarbonetos no poço. A ocorrência desses compostos, formados por carbono e hidrogênio, pode indicar a existência de petróleo e gás natural.
Nova fronteira de exploração
O poço está em uma área de águas profundas, a aproximadamente 2,9 mil metros de profundidade. A descoberta chama atenção porque ocorre em uma região ainda pouco explorada da costa brasileira e em meio à busca da Petrobras por novas reservas para compensar a futura redução da produção de campos mais antigos.
Atualmente, cerca de 80% do petróleo produzido pela Petrobras vem do pré-sal. A companhia prevê que essa produção alcance o pico até 2035, o que aumenta a importância da exploração de novas áreas para manter as reservas e a produção no longo prazo.
O Brasil é hoje o sétimo maior produtor de petróleo do mundo, e o produto deve permanecer como uma das principais fontes de receita das exportações brasileiras.
A confirmação de petróleo no poço não significa que a Petrobras já tenha uma nova área produtora. Antes de qualquer decisão sobre exploração comercial, a companhia terá de concluir a perfuração e analisar os dados obtidos.
O bloco foi adquirido pela Petrobras na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob o regime de concessão. A estatal é a operadora e detém 100% de participação na área.
Além do Morpho, ainda estão previstas outras três perfurações no bloco. A Petrobras também possui cinco poços em áreas próximas.
Os resultados dessas perfurações serão importantes para indicar se a descoberta faz parte de uma acumulação maior de petróleo e se há condições técnicas e econômicas para uma futura produção na região.
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