
Professores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) voltaram a cobrar do Governo de Minas Gerais o cumprimento de um acordo firmado em 2016, após uma longa greve da categoria. A reivindicação foi reforçada na quinta-feira (6), durante reunião da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada em Montes Claros, no Norte do Estado.
De acordo com a Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes), a categoria enfrenta uma defasagem salarial que pode chegar a 80%. O acordo, homologado em 2018, previa medidas de valorização da carreira docente, mas, segundo os professores, ainda não foi cumprido.
Durante a audiência pública, solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), docentes destacaram que a valorização salarial é fundamental para garantir a qualidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão na universidade.
O presidente da Adunimontes, Wesley Helker Felício Silva, afirmou que o acordo foi resultado de quase um ano de paralisações e que, uma década depois, os compromissos seguem pendentes. Ele também criticou a estrutura remuneratória atual, baseada em gratificações que, em alguns casos, representam até 60% da renda dos professores.
Segundo a entidade, essas gratificações deixam de ser pagas em situações como afastamentos por saúde ou qualificação, o que compromete a estabilidade financeira dos docentes. Além disso, há casos de professores com doutorado recebendo salários equivalentes aos de mestres ou especialistas, o que pode representar perdas de até 30%.
Outro ponto levantado é o pagamento por dedicação exclusiva. Apenas 16% dos docentes da Unimontes recebem nesse regime, percentual muito inferior ao registrado em universidades federais, onde o índice chega a cerca de 80%, conforme dados da associação.
A deputada Beatriz Cerqueira manifestou apoio às reivindicações e destacou a necessidade de salários mais atrativos para manter profissionais qualificados na instituição. “Estamos lutando pelo mínimo, por condições dignas para os professores”, afirmou.
Além das questões salariais, a comunidade acadêmica também defende mudanças no processo de escolha da reitoria. Um projeto de lei em tramitação na ALMG propõe o fim da lista tríplice, permitindo que o governador nomeie diretamente o candidato mais votado pela comunidade universitária.
Por outro lado, o Governo do Estado argumenta que o cumprimento do acordo esbarra nas limitações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que restringe o aumento de despesas com pessoal em função do déficit fiscal.
O subsecretário de Estado de Gestão de Pessoas, Caio Magno Lima Campos, afirmou que o governo está aberto ao diálogo, mas destacou que a incorporação de gratificações e o pagamento por dedicação exclusiva dependem da superação das restrições fiscais.
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