
A implantação de um novo espaço de eventos na região Centro-Sul de Belo Horizonte tem gerado preocupação entre moradores dos bairros Belvedere e Santa Lúcia. Com capacidade prevista para mais de 4 mil pessoas, o empreendimento tem sido alvo de questionamentos sobre impactos no trânsito, segurança e falta de informações detalhadas sobre o funcionamento.
As discussões ganharam força durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (6), pela Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Moradores relataram apreensão com a instalação da casa de eventos, destacando que a região já enfrenta problemas de mobilidade.
Segundo a subsecretária de Mobilidade Urbana, Jussara Bellavinha, o relatório de impacto do empreendimento foi recebido apenas um dia antes da audiência, o que impossibilitou uma análise aprofundada. Ainda assim, ela adiantou que há previsão de “impacto significativo” no trânsito, especialmente em horários de pico.
O estudo aponta que o local poderá receber até 4.500 pessoas, com oferta de 257 vagas de estacionamento. Apesar de o número ser superior ao mínimo exigido pela legislação, estimado em 83 vagas, a avaliação preliminar indica possibilidade de aumento de até 123% no tempo de deslocamento em horários críticos.
Representantes da Casa Vereda, responsável pelo espaço, informaram que o projeto está sendo adequado para atender às exigências legais, incluindo tratamento acústico, rotas de fuga e demais normas de segurança. Também foi mencionado o mapeamento de vagas em áreas próximas para apoio em eventos com maior público.
O vereador Professor Juliano Lopes (Pode), responsável pelo requerimento da audiência, solicitou o envio do relatório técnico completo à comissão e reforçou a importância da participação popular nas próximas etapas do licenciamento. Segundo ele, as condicionantes do empreendimento serão definidas no Conselho Municipal de Política Urbana (Compur).
Durante a reunião, parlamentares cobraram mais transparência por parte do Executivo municipal. A vereadora Fernanda Pereira Altoé (Novo) questionou possíveis impactos em municípios vizinhos, como Nova Lima, enquanto o vereador Braulio Lara (Novo) destacou a necessidade de ampliar o acesso da população às informações sobre o projeto.
Moradores presentes relataram que o trânsito na região já é considerado “intolerável” e temem agravamento com o novo espaço. Representantes de associações de bairro reforçaram que não são contrários ao desenvolvimento, mas defendem planejamento e medidas que minimizem os impactos.
Outro ponto que gerou preocupação foi a possível inauguração do espaço já em setembro, conforme divulgado no site do empreendimento. A direção da Casa Vereda afirmou que o local pode estar pronto nesse período, mas só entrará em funcionamento após a obtenção de todas as licenças necessárias, embora não descarte a realização de eventos-teste, caso haja autorização.
Como encaminhamento da audiência, foi solicitado o envio das discussões ao secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro, para ciência e acompanhamento do processo.
A expectativa agora é que novas informações sejam apresentadas e que o processo de licenciamento avance com maior participação da população afetada.
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