
Quatro integrantes da torcida organizada Máfia Azul, do Cruzeiro, acusados de participação no ataque a um ônibus com torcedores do Atlético, em 2021, voltam a julgamento pelo Tribunal do Júri a partir desta terça-feira (28), em Belo Horizonte, após a anulação das decisões anteriores pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Os réus Samuel Paixão de Souza, Riquelme Enderson Ribeiro da Silva, Luiz Gustavo da Silva Veloso e Pedro Henrique Coimbra Braga respondem ao processo em liberdade. O novo julgamento está previsto para ocorrer ao longo de dois dias no 2º Tribunal do Júri, no Fórum Lafayette, na região Centro-Sul da capital.
Segundo denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os acusados participaram do ataque a um ônibus da linha 6350 do Move, na noite de 28 de novembro de 2021, no bairro Novo das Indústrias, na região do Barreiro. O coletivo transportava torcedores do Atlético que retornavam de uma partida no Mineirão.
De acordo com a acusação, o grupo interceptou o veículo, bloqueou as portas e iniciou as agressões com artefatos explosivos, pedras e barras de ferro. O ataque resultou na morte de Mateus de Freitas Ferreira e deixou outras nove pessoas feridas.
Os quatro respondem por homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de tentativas de homicídio contra os demais passageiros.
Os julgamentos realizados em 2024 foram anulados pelo TJMG após recursos das defesas. No caso de Samuel Paixão de Souza e Riquelme Enderson Ribeiro da Silva, condenados a 67 e 50 anos de prisão, respectivamente, a anulação ocorreu em fevereiro de 2026, sob o entendimento de que houve cerceamento de defesa durante a sessão.
Já Luiz Gustavo da Silva Veloso e Pedro Henrique Coimbra Braga, condenados a 24 e 20 anos de prisão em outubro de 2024, tiveram as decisões anuladas em novembro de 2025, também por determinação do tribunal.
Com a anulação, o caso será reavaliado por um novo Conselho de Sentença, que analisará as provas e os argumentos da acusação e da defesa. Caberá aos jurados decidir pela condenação ou absolvição dos réus, sendo a eventual pena definida pelo juiz ao final do julgamento.
O caso é considerado um dos episódios mais graves de violência envolvendo torcidas organizadas na capital mineira nos últimos anos.
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