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Professora Glaura Vasques de Miranda, pioneira nos estudos de gênero, morre aos 90 anos

eferência na educação, na pesquisa acadêmica e no movimento feminista brasileiro, ela deixou um legado marcado pela defesa do conhecimento e da igualdade de direitos

23/07/2026 às 14h55
Por: João Vitor Viana
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Reprodução | Redes Sociais
Reprodução | Redes Sociais

A professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-secretária municipal de Educação de Belo Horizonte, Glaura Vasques de Miranda, morreu na manhã desta quinta-feira (23). A informação foi confirmada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Nepem/UFMG), instituição que ajudou a criar e que se tornou um dos principais espaços de produção acadêmica sobre gênero, mulheres e relações sociais no Brasil.

Doutora pela Stanford University, nos Estados Unidos, Glaura teve uma trajetória marcada pela atuação na educação pública, na pesquisa acadêmica e na defesa dos direitos das mulheres. Em 1994, quando ocupava o cargo de pró-reitora de Pesquisa da UFMG, participou da criação do Nepem, ao lado de um grupo de professoras de diferentes áreas da universidade. A iniciativa reuniu pesquisadoras de unidades como Faculdade de Educação, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Faculdade de Direito, Faculdade de Letras, Escola de Enfermagem, Faculdade de Odontologia, Escola de Veterinária e outras instituições vinculadas à universidade.

Sua carreira também foi marcada pela gestão pública. Entre 1993 e 1996, Glaura comandou a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, período em que participou da formulação de políticas educacionais no município. Também foi vice-presidente da Câmara de Ensino Fundamental do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais e diretora da Faculdade de Educação da UFMG (FaE/UFMG).

Na universidade, deixou contribuições importantes para o fortalecimento da pesquisa e da formação acadêmica. Foi uma das responsáveis pela criação e institucionalização do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da UFMG, atuando na busca por investimentos e recursos junto ao Ministério da Educação (MEC) para consolidar o projeto.

Pioneira nos estudos feministas e educacionais no Brasil, Glaura Vasques de Miranda teve papel fundamental no desenvolvimento e na institucionalização das pesquisas sobre gênero e relações de trabalho na academia latino-americana. Seus estudos analisaram as desigualdades enfrentadas pelas mulheres e se tornaram referências para pesquisadores e movimentos sociais.

Entre suas obras de destaque está o estudo "Diagnóstico da mulher brasileira nos anos 80", publicado em parceria com o Nepem e divulgado pela Revista da Faculdade de Educação da UFMG. A pesquisa é considerada um marco na compreensão da realidade social das mulheres brasileiras e na construção do conhecimento sobre gênero no país.

Além da produção acadêmica, Glaura também participou ativamente do movimento feminista brasileiro desde a década de 1970. Sua atuação contribuiu para a consolidação de debates sobre violência contra a mulher, direitos sociais e igualdade de gênero, incluindo sua aproximação com movimentos históricos como o "Quem Ama Não Mata".

Em reconhecimento à sua trajetória, recebeu o Prêmio Lúcia Tosi, concedido em 2007 durante o 1º Seminário Internacional sobre "Política e Feminismo", promovido pelo Nepem/UFMG. A universidade e colegas de pesquisa destacam o legado de Glaura como uma das grandes referências da educação, da ciência e da luta pela igualdade de direitos no Brasil.

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