
O presidente da Câmara Municipal de Santa Luzia, Glayson Johnny, afirmou nesta terça-feira (21) que a Operação Arremate, deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), tem como alvo ex-servidores da Casa Legislativa e não envolve contratos ou agentes da atual gestão. A manifestação foi divulgada por meio de nota oficial após o cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão relacionados à investigação de um suposto esquema de corrupção e fraudes em licitações.
O Impactto News acompanha o caso desde o início da operação e já publicou, em reportagens anteriores, os posicionamentos oficiais do Ministério Público de Minas Gerais e da Prefeitura de Santa Luzia sobre as investigações. Agora, a Câmara Municipal também se pronunciou oficialmente sobre o caso.
Na nota, Glayson Johnny informou que foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão em Santa Luzia, Belo Horizonte e Lagoa Santa. Segundo ele, os investigados "são ex-servidores que não mantêm vínculo funcional com a Câmara desde 31 de dezembro de 2024". O presidente também ressaltou que "as ações não abrangem atos, contratos ou agentes da atual gestão" e afirmou que a operação não foi realizada nas dependências internas da Câmara. "A Câmara respeita a atuação dos órgãos envolvidos e reafirma o compromisso com a legalidade, a transparência e a integridade administrativa", declarou.
A Operação Arremate é um desdobramento da Operação Caixa Dourada, deflagrada em setembro de 2025, e investiga um suposto esquema de corrupção e fraudes em licitações na Câmara Municipal de Santa Luzia. Nesta fase, o Ministério Público e a Polícia Civil cumpriram dois mandados de prisão preventiva contra investigados suspeitos de corrupção passiva, contratação direta ilegal, frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em processos licitatórios, peculato eletrônico e fraude processual. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Santa Luzia.
Na decisão que autorizou as prisões, a Justiça apontou indícios de risco à instrução criminal, citando possíveis tentativas de destruição de provas, orientação de testemunhas e interferência nas investigações. O magistrado também considerou o risco de continuidade das práticas criminosas e a existência de outras investigações e ações penais envolvendo os mesmos fatos.
Além das prisões, um terceiro investigado foi submetido a medidas cautelares, entre elas a suspensão do exercício da função pública na Câmara Municipal e a proibição de manter contato com os demais investigados e testemunhas. Também foram autorizados mandados de busca e apreensão em residências, empresas e locais de trabalho, além do bloqueio de bens e valores e da análise de dados armazenados em equipamentos eletrônicos.
Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, as investigações apontam indícios de direcionamento de contratos públicos mediante pagamento de propina e fracionamento irregular de contratações, com participação de agentes públicos e fornecedores. A apuração é baseada em mensagens extraídas de dispositivos eletrônicos, documentos administrativos e movimentações financeiras obtidas ao longo da investigação.
As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos, dimensionar os prejuízos aos cofres públicos e apurar a eventual responsabilidade criminal dos investigados.
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