
Quatro homens foram presos após pacientes denunciarem uma série de abusos em uma clínica de reabilitação localizada em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, os internos relataram que eram vítimas de agressões físicas e psicológicas, privação de água e alimentos, cárcere privado e tortura. Alguns pacientes precisaram ser encaminhados para atendimento médico.
A ocorrência teve início quando um dos responsáveis pela administração da clínica procurou uma base da PM para informar um desentendimento com o irmão, com quem dividia a gestão do estabelecimento. Ele afirmou que o familiar havia ficado com as chaves de um veículo utilizado pela instituição e solicitou apoio para recuperá-lo.
Ao acompanhar o homem até a clínica, situada no bairro Residencial Ouro Verde, os policiais foram recebidos por um interno que se apresentou como monitor. Durante a vistoria, entretanto, os militares afirmam ter encontrado um cenário de degradação, com indícios de diversos crimes praticados contra os pacientes.
De acordo com o boletim de ocorrência, os internos relataram que viviam sob uma rotina de violência, restrições de alimentação e água e condições precárias de higiene. Uma das vítimas afirmou que era dopada diariamente e privada de comida e bebida. Outro paciente apresentava um trauma em uma das pernas.
Um dos internos contou aos policiais que os pacientes eram tratados "como cachorro" e impedidos de manter contato com familiares por telefone. Outro homem relatou estar internado contra a própria vontade havia cerca de três anos.
Ainda segundo os depoimentos, os responsáveis pela clínica deixavam frequentemente o local para consumir drogas e retornavam acompanhados de mulheres para fazer uso de entorpecentes dentro da instituição.
Durante a operação, equipes de resgate prestaram atendimento a alguns pacientes, que foram encaminhados a uma policlínica da região. A PM também cumpriu um mandado de prisão em aberto contra um dos internos.
Os militares informaram que tentaram acionar o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Igarapé. Conforme o registro da ocorrência, o órgão informou que já tinha conhecimento da situação da clínica, mas não enviou equipe ao local.
Na inspeção, os policiais encontraram dormitórios com sujeira acumulada, forte odor, desorganização e condições consideradas inadequadas de higiene.
Os quatro suspeitos, com idades de 26, 42, 42 e 50 anos, foram presos e encaminhados à Delegacia da Polícia Civil. Eles poderão responder por crimes como cárcere privado, tortura, maus-tratos e apropriação indébita. A Polícia Civil dará continuidade às investigações para apurar as denúncias e a responsabilidade de cada envolvido.
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