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Pesquisa revela que brasileiros são os que menos conhecem os países de língua portuguesa

Barômetro da Lusofonia aponta que Brasil é o país com menor conhecimento e interesse pelas demais nações da CPLP, apesar dos laços históricos e culturais

17/07/2026 às 18h56
Por: Cristiane Cirilo
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Imagem gerada por IA | Google Flow
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Uma pesquisa inédita sobre a percepção dos países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) revelou que os brasileiros são os que menos conhecem as demais nações lusófonas. Os dados fazem parte do Barômetro da Lusofonia, levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) e divulgado em comemoração aos 30 anos da criação da CPLP.

Fundada em 17 de julho de 1996, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa reúne atualmente nove países que compartilham o português como idioma oficial: Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial.

Segundo a pesquisa, o Brasil é a exceção quando o assunto é conhecimento sobre os demais integrantes da comunidade.

Apenas 6% dos brasileiros citaram a Guiné-Bissau quando perguntados sobre países de língua portuguesa. Em comparação, 71% dos guineenses lembraram do Brasil, enquanto a Guiné-Bissau foi mencionada por 57% dos cabo-verdianos, 41% dos portugueses e 31% dos timorenses.

Portugal é o único país lusófono conhecido pela maioria dos brasileiros. Ainda assim, apenas 62% dos entrevistados citaram o país europeu, o menor índice entre todas as nações pesquisadas. Em Cabo Verde, por exemplo, Portugal foi lembrado por 95% dos entrevistados.

O levantamento mostra que o problema não é apenas o desconhecimento. Entre os brasileiros entrevistados, 38% afirmaram não ter interesse em conhecer manifestações culturais dos demais países de língua portuguesa. Nos outros integrantes da CPLP, esse índice é significativamente menor. Em Cabo Verde e Timor-Leste, por exemplo, apenas 3% declararam não ter curiosidade sobre a cultura dos demais países lusófonos.

O Barômetro da Lusofonia entrevistou 5,7 mil pessoas em oito dos nove países da CPLP. Apenas a Guiné Equatorial ficou de fora do estudo por questões logísticas.

Além do conhecimento sobre os países, a pesquisa avaliou temas como democracia, educação, saúde, mercado de trabalho, mudanças climáticas, racismo, igualdade de gênero e direitos da população LGBTQIA+.

Problemas semelhantes

Apesar das diferenças geográficas e econômicas entre os países, o levantamento aponta que as populações compartilham preocupações parecidas.

Entre os principais desafios citados pelos entrevistados estão:

  • saúde;
  • educação;
  • desemprego;
  • insatisfação com o funcionamento da democracia.

A pesquisa também mostra que a maioria considera que seus governos ainda não está preparada para enfrentar eventos climáticos extremos.

Oportunidades de integração

Especialistas ouvidos durante a divulgação do estudo defendem que o Brasil aproveite melhor seu papel dentro da comunidade lusófona.

Para o historiador Virgílio Arraes, da Universidade de Brasília (UnB), o país perde oportunidades ao manter pouco contato com as demais nações que compartilham a língua portuguesa.

Segundo ele, conhecer melhor os países africanos de língua portuguesa também significa compreender com mais profundidade a própria formação histórica e cultural brasileira.

Já o coordenador do Instituto Brasil África, Pedro Fontenele, destaca que o continente africano vive um período de forte crescimento econômico e representa importantes oportunidades de negócios e cooperação internacional.

Cooperação pode beneficiar os países

Na avaliação do presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o levantamento pode servir de base para políticas públicas e para fortalecer a cooperação entre os países da CPLP.

Entre as medidas defendidas estão a ampliação de intercâmbios acadêmicos, reconhecimento de diplomas, incentivo à pesquisa conjunta, fortalecimento das relações comerciais e maior divulgação da produção científica e cultural dos países de língua portuguesa.

Os resultados também reforçam a importância de iniciativas como o Acordo de Mobilidade da CPLP, aprovado pelo Senado em 2022, que facilita a concessão de vistos e autorizações de residência entre os países membros.

Criada há três décadas para promover a cooperação política, econômica e cultural entre as nações lusófonas, a CPLP reúne hoje cerca de 290 milhões de pessoas distribuídas por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.

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