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Minas Gerais inicia 2026 sem dinheiro em caixa e lidera pior situação fiscal do país

Em nota, o governo de Minas Gerais afirmou que a indisponibilidade de caixa líquida se refere especificamente aos recursos não vinculados, ou seja, receitas livres, sem destinação obrigatória

21/02/2026 às 18h07
Por: Cristiane Cirilo
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 Foto: Danilo Girundi/ TV Globo
Foto: Danilo Girundi/ TV Globo

Um relatório enviado pela Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEF-MG) ao Tesouro Nacional aponta que Minas Gerais iniciou o ano de 2026 sem recursos em caixa, ocupando a pior posição fiscal entre todas as unidades da federação do país.

De acordo com o documento, que reúne o balanço consolidado das contas públicas de 2025, a disponibilidade de caixa líquida do estado é negativa em mais de R$ 11 bilhões. O indicador considera o dinheiro disponível após o desconto das obrigações financeiras já assumidas pelo governo.

Além disso, o relatório apresenta outros dados relevantes sobre a saúde fiscal de Minas, como despesas com pessoal, dívida consolidada e capacidade de pagamento. Para 2026, o déficit previsto é de aproximadamente R$ 5 bilhões.

Na avaliação do economista Gelton Pinto Coelho, o cenário exige cautela e planejamento. Segundo ele, além do déficit projetado, o estado aprovou uma renúncia fiscal estimada em cerca de R$ 25 bilhões, por meio de isenções concedidas a empresas, valores que deixam de ingressar nos cofres públicos.

Outro fator de pressão é a dívida de Minas Gerais com a União, que chega a R$ 187 bilhões. Com a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), o estado poderá parcelar o débito em até 30 anos, com possibilidade de redução de juros mediante investimentos em áreas estratégicas, como segurança pública e educação.

“A dívida pública é muito grande, está em processo de crescimento e isso provoca um problema grave, que é a falta de entrega de serviços para a população. O estado precisa se preparar para fazer um gasto público adequado e reduzir o montante da dívida. Isso é o mais importante no momento”, avaliou o economista.

Em nota, o governo de Minas Gerais afirmou que a indisponibilidade de caixa líquida se refere especificamente aos recursos não vinculados, ou seja, receitas livres, sem destinação obrigatória. O Executivo também destacou que o cálculo considera passivos herdados de gestões anteriores, que foram renegociados e impactam diretamente o indicador fiscal atual.

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