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Deputada aciona MPF e TCE por suspeitas de corrupção na Copasa e pede suspensão da privatização

O pedido tem como base a delação de Hamilton Amadeo, ex-presidente do conselho da Copasa, que deixou o cargo após a divulgação de seu depoimento à Polícia Federal

21/02/2026 às 17h11
Por: Cristiane Cirilo
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Copasa
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A deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL) protocolou, na sexta-feira (20/2), representações no Ministério Público Federal, no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e na Comissão de Valores Mobiliários pedindo a suspensão do processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A iniciativa tem como foco a assembleia de acionistas marcada para a próxima segunda-feira (23/2), que deve tratar da venda de ações da estatal.

O pedido tem como base a delação de Hamilton Amadeo, ex-presidente do conselho da Copasa, que deixou o cargo após a divulgação de seu depoimento à Polícia Federal. No relato, ele admite participação em um esquema de corrupção enquanto atuava como CEO da Aegea, uma das maiores companhias privadas do setor de saneamento do país e apontada como potencial interessada na compra de ações da Copasa.

Segundo a deputada, há indícios de conflito de interesses no processo de privatização. Um dos pontos levantados é a ligação direta de Amadeo com a Aegea, o que, segundo a representação, poderia ter influenciado a modelagem da venda da estatal mineira. Outro eixo da denúncia envolve o ex-presidente da Copasa, Guilherme Duarte. Após sua saída, a gestora de investimentos Perfin (que atua em parceria com o banco BTG Pactual) passou a adquirir ações da empresa de forma expressiva, tornando-se a maior sócia privada, com 12,31% de participação.

A parlamentar sustenta que pode ter havido uso de informações privilegiadas, com investidores se beneficiando de dados antecipados sobre o processo de privatização. O documento também aponta que a Aegea e a Perfin já atuaram juntas em outras privatizações no país, como a da Corsan, no Rio Grande do Sul, e que o mesmo grupo estaria agora envolvido no processo da Copasa.

Procurada, a Copasa informou que não tinha conhecimento dos fatos relacionados à delação, por se tratar de processo em sigilo de Justiça e referente a períodos anteriores à atuação de Hamilton Amadeo na companhia. A empresa também afirmou que não houve alteração no cronograma das reuniões e reforçou, em nota, o compromisso com a ética e a transparência.

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