
Um professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) da Escola de Engenharia foi denunciado por suposta discriminação contra uma pessoa com deficiência após um episódio ocorrido na última quinta-feira (12), em Belo Horizonte. Segundo relato da chef Juliana Duarte, o marido dela, Pedro Vieira, de 66 anos, cadeirante e diagnosticado com Parkinsonismo, teria sido alvo de ofensas após questionar o estacionamento de um veículo que bloqueava uma rampa de acesso. A universidade informou que recebeu denúncia formal e instaurou procedimento para apurar o caso.
De acordo com relato publicado nas redes sociais, Juliana seguia com o marido para o restaurante onde trabalha, o Cozinha Santo Antônio, na região Centro-Sul da capital, quando encontrou um carro estacionado sobre a faixa de pedestres, impedindo o acesso à rampa para cadeirantes.
Ela afirma que procurou o proprietário do veículo e pediu que ele retirasse o carro. Segundo o relato, após remover o automóvel, o homem teria dirigido ofensas ao casal, incluindo a frase: “Tchau, cadeirante! Espero que você ande muito por aí”. Ainda conforme a denúncia, horas depois o mesmo homem teria ido até o restaurante e feito novos comentários.
Juliana registrou boletim de ocorrência e informou ter formalizado denúncia na Ouvidoria da UFMG. O caso também foi encaminhado à Polícia Civil de Minas Gerais.
Em nota divulgada no sábado (14), a UFMG declarou que tomou conhecimento do episódio envolvendo um professor da Escola de Engenharia e reiterou que não tolera condutas discriminatórias ou que violem a dignidade humana. A instituição afirmou que a denúncia será apurada com rigor, respeitando os trâmites administrativos e legais.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG), por meio da Comissão Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, também se manifestou. Em nota de apoio, a comissão classificou o episódio como capacitista e ressaltou que acessibilidade “não é concessão, mas garantia legal”, destacando que bloquear rampas e faixas de pedestres viola direitos assegurados por lei.
A entidade declarou solidariedade à vítima e à família e reforçou o compromisso com a defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
O caso segue sob apuração.
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