
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais anunciou, neste domingo (25), a conclusão da etapa operacional de buscas pelas vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho.
A decisão marca uma virada histórica: após sete anos de atuação ininterrupta, todas as áreas atingidas pelo desastre foram vistoriadas, e a operação entra agora em uma fase técnica, voltada à análise pericial.
O encerramento ocorre exatamente no dia em que a tragédia completa sete anos, desde 25 de janeiro de 2019, os bombeiros mantiveram uma mobilização contínua, somando mais de 2.500 dias de buscas em um cenário considerado um dos mais complexos já enfrentados pela corporação no país.
A lama liberada com o colapso da estrutura percorreu uma extensa área e transformou radicalmente a paisagem da região.
Segundo o Corpo de Bombeiros, cerca de 11 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram analisados ao longo do trabalho, com a vistoria integral concluída em dezembro de 2025.
As ações envolveram diferentes estratégias ao longo dos anos, que variaram conforme as condições do terreno e o avanço das tecnologias empregadas.
De acordo com os militares, a operação passou por múltiplas fases, incluindo resgate de sobreviventes nos primeiros dias, buscas superficiais, emprego de cães especializados e uso intensivo de aeronaves.
Ao todo, 65 cães foram utilizados e as equipes aéreas acumularam mais de 1.600 horas de voo em apoio às ações em solo.
Apesar do anúncio, a corporação reforça que o trabalho não está totalmente encerrado, a partir de agora, a Polícia Civil assume papel central na continuidade da operação, sendo responsável pela análise, perícia e eventual identificação de segmentos humanos localizados durante as buscas.
As equipes dos bombeiros seguem atuando de forma residual, concentradas na finalização de relatórios e no encaminhamento de materiais.
A tragédia deixou 270 mortos, número que chega a 272 quando consideradas as vítimas grávidas e duas pessoas ainda permanecem desaparecidas.
A última vítima identificada foi Maria de Lourdes da Costa Bueno, reconhecida em fevereiro de 2025. Desde então, novos segmentos humanos foram localizados, o que mantém aberta a possibilidade de futuras identificações.
O Corpo de Bombeiros destaca que o contato com os familiares continua ativo, em articulação com órgãos do governo estadual.
Para a corporação, o encerramento da fase de buscas representa o cumprimento de um compromisso assumido desde o primeiro dia, sem que isso signifique o fim da responsabilidade do Estado diante das consequências do maior desastre socioambiental da história de Minas Gerais.
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