
O Instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, aponta que o Brasil subiu no ranking global de qualidade democrática e passou a figurar à frente dos Estados Unidos. O levantamento, divulgado em 2026, mostra trajetórias opostas entre os dois países, com avanço brasileiro e deterioração do sistema democrático norte-americano.
Segundo o relatório, o Brasil ocupa atualmente a 28ª posição entre 179 nações analisadas, enquanto os Estados Unidos caíram do 20º para o 51º lugar. A mudança reflete um cenário de recuperação institucional no país sul-americano e de enfraquecimento democrático na maior economia do mundo.
De acordo com o estudo, o Brasil está entre os países que reverteram processos recentes de autocratização e voltaram a fortalecer instituições democráticas. O país é classificado como uma “democracia eleitoral”, com eleições regulares e competitivas, e aparece como destaque entre nações em processo de retomada democrática.
Os pesquisadores apontam que essa melhora está associada à recomposição de mecanismos institucionais e ao restabelecimento de práticas democráticas após um período de instabilidade política.
Na direção oposta, os Estados Unidos deixaram de ser considerados uma “democracia liberal” pela primeira vez em mais de 50 anos e passaram a ser classificados apenas como democracia eleitoral.
O relatório atribui o recuo a um processo acelerado de concentração de poder no Executivo, além do enfraquecimento de mecanismos de controle, ataques a instituições e restrições a liberdades civis.
Ainda segundo o levantamento, a deterioração democrática no país ocorre em ritmo considerado inédito entre democracias consolidadas.
O estudo também aponta que o cenário não se restringe aos dois países. Cerca de um quarto das nações do mundo enfrentou retrocessos democráticos recentes, com avanço de processos de autocratização, especialmente na Europa e na América do Norte.
Atualmente, há mais regimes autocráticos do que democráticos no mundo, e a parcela da população vivendo em democracias liberais é a menor em mais de meio século, segundo o relatório.
O diagnóstico reforça a tendência global de enfraquecimento das instituições democráticas, ao mesmo tempo em que destaca casos pontuais de recuperação, como o do Brasil.
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