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Copom decide nesta quarta-feira se reduz ou mantém a taxa Selic em 13,75%

Mercado financeiro espera novo corte de 0,25 ponto percentual, que levaria os juros a 13,5% ao ano; decisão será anunciada no início da noite

04/11/2026 às 07h42
Por: Cristiane Cirilo
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Arthur Menescal Bloomberg
Arthur Menescal Bloomberg

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (4) se reduz novamente a taxa básica de juros ou mantém o percentual atual de 13,75% ao ano. A expectativa predominante entre os analistas do mercado financeiro é de um novo corte de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic a 13,5%.

A reunião é a penúltima do ano. Caso a redução se confirme, será o sexto corte consecutivo da taxa desde o início do ciclo de flexibilização monetária. A decisão será divulgada no início da noite.

A projeção aparece no Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras. Na edição mais recente, os analistas também passaram a estimar que os juros permanecerão em 13,5% na última reunião de 2026, prevista para dezembro. Nas semanas anteriores, a expectativa era de mais uma redução no encerramento do ano.

A Selic chegou a 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas, e permaneceu nesse nível de junho de 2025 a março de 2026. Desde então, o Banco Central iniciou uma sequência de cortes.

Inflação e dólar influenciam decisão

A decisão do Copom ocorre em um cenário de preocupação com a inflação e a instabilidade cambial. A alta recente do dólar, a pressão dos preços do petróleo e o aumento dos gastos públicos estão entre os fatores que podem dificultar a redução dos juros.

Outro ponto de atenção é o fenômeno climático El Niño, que pode afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses.

A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), ficou em 0,32% em outubro, metade da variação registrada em setembro, de 0,70%. Apesar da desaceleração mensal, o indicador acumulou alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação.

A projeção do mercado para o IPCA de 2026 também subiu. Segundo o último Boletim Focus, a estimativa passou de 5,19% para 5,22%, acima do limite de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A meta oficial é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Como a Selic afeta o consumidor?

A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação e serve de referência para os juros praticados na economia.

Quando o Copom aumenta a taxa, os empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais caros. Com o crédito mais restrito, o consumo e a demanda podem diminuir, contribuindo para desacelerar a alta dos preços. Por outro lado, juros elevados também podem dificultar investimentos e reduzir o ritmo de crescimento econômico.

Quando a Selic cai, a tendência é de redução do custo do crédito, o que pode estimular o consumo e a produção. O efeito sobre as taxas cobradas pelos bancos, no entanto, não é automático: as instituições também consideram fatores como risco de inadimplência, despesas administrativas e margem de lucro.

Copom está com duas diretorias vagas

A reunião ocorre com duas vagas na diretoria do Banco Central. Os mandatos dos ex-diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diogo Guillen, terminaram no fim de 2025. Até o momento, os substitutos ainda não foram indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional.

Na ata da reunião de setembro, o Copom havia reafirmado a necessidade de cautela na condução da política monetária, diante da pressão da demanda sobre a inflação.

O comitê se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia, os integrantes recebem avaliações técnicas sobre a economia brasileira e internacional e o comportamento dos mercados. No segundo, discutem o cenário e definem a taxa básica de juros.

A próxima reunião do ano será a última de 2026. O Banco Central também divulgará, no fim de dezembro, o Relatório de Política Monetária, que poderá atualizar as projeções para a inflação e a atividade econômica.

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