
O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana sob forte turbulência nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25). O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, chegou a cair 17,34%, atingindo 169.516,43 pontos, no pior desempenho desde março de 2020, quando a pandemia de Covid-19 provocou uma onda de instabilidade nos mercados globais. Por volta das 13h, o índice reduzia parcialmente as perdas, mas ainda registrava recuo de 14,14%.
A intensidade da queda levou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde 2020. A medida foi adotada depois que o Ibovespa atingiu desvalorização de 10% em relação ao fechamento anterior, suspendendo as negociações por 30 minutos. Após a retomada das operações, as perdas se aprofundaram, refletindo a reação dos investidores ao resultado das eleições e a incertezas sobre os rumos da política econômica do próximo mandato.
No mercado cambial, o dólar comercial também registrava forte valorização. Às 12h53, a moeda norte-americana subia 8,78%, cotada a R$ 5,4316 para venda, conforme os dados divulgados durante o pregão. Em momentos anteriores, a cotação chegou a superar R$ 5,60. Os contratos de juros futuros também avançavam, indicando aumento da percepção de risco e das preocupações com as contas públicas, a trajetória da dívida e as perspectivas para a inflação.
A reação negativa está relacionada, principalmente, à frustração das expectativas de parte dos investidores, que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e esperavam uma condução econômica com maior ênfase no ajuste fiscal. Com a vitória de Lula, o mercado passou a reavaliar os riscos associados à continuidade dos gastos públicos e à capacidade do governo de conciliar políticas sociais, crescimento econômico e equilíbrio das contas públicas.
A queda atingiu diferentes setores da Bolsa, com perdas expressivas em empresas do varejo, da construção civil e de outros segmentos mais sensíveis à elevação dos juros. O movimento também ocorreu em meio à valorização dos ativos brasileiros registrada após o primeiro turno, quando parte dos investidores havia ajustado suas posições diante da expectativa de uma mudança no comando do governo federal.
A dimensão da turbulência, no entanto, não significa que todos os ativos tenham apresentado o mesmo comportamento. Empresas exportadoras e companhias com receitas vinculadas ao mercado internacional tiveram movimentos distintos, beneficiadas em alguns casos pela valorização do dólar. O desempenho dos próximos pregões dependerá, entre outros fatores, das sinalizações do governo sobre a política fiscal, da composição da equipe econômica e das perspectivas para os juros e a inflação.
O episódio recoloca o equilíbrio das contas públicas no centro das preocupações dos investidores. A trajetória dos gastos, o financiamento das políticas públicas e a capacidade de estabilizar a dívida serão fatores importantes para a avaliação do risco brasileiro. Os números registrados ao longo desta segunda-feira são parciais e podem sofrer alterações até o encerramento do pregão.
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