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Ata do Copom aponta desaceleração da economia como fator para corte da Selic

Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano; documento também destaca efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda

22/09/2026 às 10h48
Por: Daniel Mendes
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Reprodução: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Reprodução: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A desaceleração da atividade econômica, da inflação e dos efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda levou o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central a reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. As justificativas para o quinto corte consecutivo dos juros foram apresentadas na ata da reunião realizada na semana passada e divulgada nesta terça-feira (22).

Segundo o documento, os indicadores econômicos mais recentes mostram uma moderação gradual da atividade, principalmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. Apesar disso, o Copom avaliou que a economia brasileira continua resiliente e que o mercado de trabalho permanece aquecido.

PIB confirma perda de ritmo

A ata destaca que os dados mais recentes do Produto Interno Bruto (PIB), referentes ao segundo trimestre de 2026, confirmaram a desaceleração que já vinha sendo observada em outros indicadores.

De acordo com o Banco Central, a perda de ritmo foi mais acentuada nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensíveis ao nível dos juros. O movimento é considerado relevante para o processo de reequilíbrio entre oferta e demanda e para a convergência da inflação à meta.

O Copom também apontou que os efeitos da política monetária sobre a economia aparecem de forma gradual, especialmente em segmentos que dependem mais das condições de crédito.

Crédito começa a mostrar efeitos dos juros

Outro ponto destacado na ata foi o comportamento do mercado de crédito. O Banco Central identificou redução nas operações de crédito livre de prazo mais longo, enquanto algumas modalidades de curto prazo continuam crescendo, mas em ritmo mais moderado.

Ao mesmo tempo, linhas de crédito com apoio de políticas públicas, como determinadas operações para famílias e empresas, continuam apresentando crescimento. O cenário indica que os juros elevados vêm produzindo efeitos sobre parte da demanda por crédito.

A avaliação faz parte da análise do Copom sobre os mecanismos pelos quais a política monetária influencia o consumo, os investimentos e, consequentemente, a inflação.

Inflação desacelera, mas segue como preocupação

A ata também registra melhora nos indicadores recentes de inflação. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes apresentaram desaceleração, embora permaneçam acima da meta estabelecida pelo Banco Central.

As expectativas de inflação continuam acima do objetivo perseguido pela política monetária. No cenário de referência utilizado pelo Copom, a projeção para o IPCA é de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.

Diante desse cenário, o Comitê reforçou que a política monetária ainda precisa permanecer em território restritivo para garantir a convergência da inflação à meta.

Quinto corte consecutivo

Com a decisão tomada na reunião de setembro, a Selic passou de 14% para 13,75% ao ano, em uma redução de 0,25 ponto percentual.

Esse foi o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros em 2026. O Banco Central, porém, não antecipou na ata qual será o comportamento da Selic nas próximas reuniões e destacou que as decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos.

O Copom afirmou que continuará avaliando o comportamento da inflação, da atividade econômica, das expectativas e do cenário externo para definir os próximos passos da política monetária.

Próxima decisão será em novembro

A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 3 e 4 de novembro de 2026. O colegiado deverá analisar os dados econômicos disponíveis até lá antes de definir a trajetória da taxa básica de juros.

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