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Cientistas descobrem nova espécie de felino em florestas da Bolívia

Leopardus tilcayo é a primeira nova espécie de gato selvagem descrita em mais de um século; estudo com pesquisador da PUCRS também revela que “tiger cats” são cinco espécies distintas

20/09/2026 às 15h43
Por: Daniel Mendes
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Divulgação: PUCRS
Divulgação: PUCRS

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), identificou uma nova espécie de felino selvagem em florestas montanhosas da região de Nor Yungas, na Bolívia. 

Batizado de Leopardus tilcayo, o animal é a primeira nova espécie de gato selvagem descrita pela ciência em mais de um século, segundo o estudo publicado na revista científica Current Biology. 

A descoberta partiu da análise genômica de um exemplar macho conhecido como "Tigrino", encontrado ainda filhote em 2016 por um morador da região e levado, na sequência, ao refúgio de animais La Senda Verde, onde permanece desde então.

Publicados em 17 de setembro, os resultados genômicos mostraram que o animal não pertencia à espécie até então presumida, Leopardus tigrinus, mas integrava uma linhagem evolutivamente distinta, até agora desconhecida pela ciência.

Segundo Eizirik, o estudo evidencia o quanto ainda há para se descobrir sobre a biodiversidade do planeta, já que mesmo entre animais conhecidos como os felinos, espécies podem permanecer desconhecidas por séculos, e conhecê-las é essencial para que seja possível protegê-las.

"Tiger cats" da América do Sul eram, na verdade, cinco espécies

O mesmo estudo trouxe outra descoberta relevante: o grupo de gatos-do-mato conhecidos em inglês como "tiger cats", até então considerado uma única espécie, é na verdade composto por cinco espécies diferentes. 

A conclusão foi possível a partir do sequenciamento e análise de genomas completos de 38 indivíduos de diferentes regiões da América do Sul, incluindo oito exemplares históricos preservados em museus da Europa e dos Estados Unidos.

De acordo com Eizirik, esses animais podem ser classificados como espécies crípticas — conceito usado pela ciência para designar organismos de aparência muito semelhante, mas com diferenças genéticas e trajetórias evolutivas independentes, o que fez com que fossem confundidos e tratados como uma só espécie por muito tempo. 

A pesquisa reuniu cientistas da PUCRS e de instituições parceiras do Brasil, da Bolívia, do Peru, da Bélgica, da Colômbia, dos Estados Unidos e do Reino Unido.

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