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Opas amplia acesso a medicamento que previne HIV para 14 países da América Latina

Lenacapavir é aplicado duas vezes ao ano e será disponibilizado também no Brasil; medicamento apresentou eficácia de quase 100% em estudos

17/09/2026 às 10h36
Por: Cristiane Cirilo
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Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou a ampliação do acesso ao lenacapavir, medicamento injetável usado na prevenção do HIV, para 14 países da América Latina. O Brasil está entre os países que poderão adquirir o antirretroviral por meio dos fundos de compras regionais da organização.

A medida ocorre em um cenário de cerca de 140 mil novas infecções pelo HIV registradas todos os anos na América Latina e no Caribe, segundo dados da Opas.

O lenacapavir é uma forma de profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia usada por pessoas que não têm HIV para reduzir o risco de adquirir o vírus. Diferentemente da PrEP em comprimidos, o medicamento é aplicado por injeção duas vezes ao ano.

Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o lenacapavir como uma opção adicional de prevenção. Estudos clínicos apontaram eficácia de quase 100% na prevenção da infecção pelo HIV.

A aplicação a cada seis meses pode facilitar a prevenção para pessoas que têm dificuldade em manter o uso regular de medicamentos tomados com maior frequência.

Além do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela poderão comprar o medicamento por meio dos mecanismos da Opas.

A organização informou que a nova estratégia complementa acordos de licenciamento voluntário que já envolvem 24 países da América Latina e do Caribe, dentro de uma iniciativa global que alcança 120 países.

No Brasil, a farmacêutica Gilead Sciences, responsável pelo lenacapavir, também se comprometeu a avançar na transferência de tecnologia para possibilitar a produção do medicamento no país.

Segundo a Opas, esse processo ainda está em desenvolvimento e não há prazo definido para sua conclusão. A produção regional, no longo prazo, poderá aumentar a disponibilidade do medicamento e contribuir para condições de compra mais sustentáveis.

A chegada do lenacapavir aos programas públicos de prevenção ao HIV, porém, não será automática. Cada país deverá cumprir etapas próprias, como aprovação regulatória, definição de protocolos de uso, treinamento de profissionais e planejamento da rede de saúde.

A Opas informou que oferecerá apoio técnico aos países durante esse processo, incluindo o planejamento da quantidade necessária de medicamentos, elaboração de orientações para os profissionais e acompanhamento da implantação.

O lenacapavir passa a integrar um conjunto de opções disponíveis para a prevenção do HIV. Entre elas estão a PrEP oral diária ou sob demanda, o cabotegravir de ação prolongada e o uso de preservativos.

A organização também destaca a importância da testagem, do diagnóstico precoce e do início do tratamento para quem vive com HIV.

A ampliação das opções de prevenção busca permitir que as pessoas escolham, junto aos serviços de saúde, a estratégia que melhor se adapte às suas necessidades. A meta internacional é reduzir novas infecções e avançar para que o HIV deixe de ser um problema de saúde pública até 2030.

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