
Um projeto de lei que prevê recompensa para moradores que denunciarem casos de descarte irregular de resíduos em Belo Horizonte será votado em primeiro turno pela Câmara Municipal na próxima terça-feira (8). A proposta estabelece que o denunciante poderá receber 20% do valor da multa aplicada e efetivamente arrecadada pelo Município.
O PL 738/2026, de autoria do vereador Tileléo (PP), cria o Programa Municipal de Incentivo à Denúncia de Descarte Irregular de Resíduos Sólidos. Para ter direito ao pagamento, a denúncia deverá permitir a confirmação da irregularidade e a identificação do local e do responsável pelo descarte.
A reunião do Plenário está marcada para as 14h30. A aprovação em primeiro turno depende do voto favorável da maioria dos vereadores presentes.
O pagamento não será feito no momento da denúncia. De acordo com o projeto, o valor só será liberado depois que a ocorrência for confirmada, o infrator for autuado, a penalidade aplicada e a multa efetivamente arrecadada pela Prefeitura.
A recompensa terá limite de cinco salários mínimos.
Para que a denúncia seja considerada válida, o cidadão deverá informar a irregularidade, o local e a data do descarte. Quando possível, também deverão ser indicados o horário e o responsável pela ação.
Denúncias falsas ou feitas de má-fé não darão direito à recompensa e poderão levar à responsabilização civil e criminal do autor.
O projeto prevê que a Prefeitura disponibilize um canal ou plataforma específica para receber as denúncias. O sistema deverá permitir o envio de fotos, vídeos, documentos e outros materiais que possam ajudar na investigação.
O denunciante também poderá acompanhar o andamento do caso. As informações pessoais fornecidas deverão ser utilizadas exclusivamente para a apuração, com garantia de sigilo nos termos da legislação.
Na justificativa, Tileléo afirma que o descarte irregular pode prejudicar a drenagem urbana, contribuir para enchentes, favorecer a proliferação de doenças e degradar o patrimônio público.
Segundo o vereador, a participação dos moradores ajudaria a ampliar a fiscalização e poderia contribuir para reduzir as ocorrências.
O PL recebeu parecer favorável da Comissão de Legislação e Justiça e das Comissões de Saúde e Saneamento e de Administração Pública e Segurança Pública.
A Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana, porém, recomendou a rejeição da proposta. O parecer terminou empatado em dois votos favoráveis e dois contrários.
Entre os argumentos apresentados está a avaliação de que a recompensa poderia ser interpretada como uma espécie de “delação premiada”. Para os vereadores que defenderam a rejeição, medidas de educação ambiental e conscientização seriam mais adequadas para estimular o respeito às regras de descarte.
Até o momento, o projeto não recebeu emendas. Caso seja aprovado sem alterações, poderá ficar apto para votação definitiva no Plenário.
A sessão poderá ser acompanhada presencialmente ou pela transmissão ao vivo da Câmara Municipal.
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