
A febre do Nilo Ocidental, uma doença rara no Brasil, registrou quatro casos confirmados e uma morte no país em 2026. As ocorrências foram identificadas em São Paulo, com dois casos, e Santa Catarina, também com dois registros, sendo um deles fatal.
A doença é causada pelo vírus do Nilo Ocidental, transmitido principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex. Os insetos se infectam ao picar aves silvestres contaminadas e podem posteriormente transmitir o vírus aos seres humanos.
Apesar de poder provocar complicações graves, a maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas ou desenvolve apenas manifestações leves. Quando surgem, os sinais podem incluir febre de início repentino, mal-estar, vômitos, dores no corpo, nos olhos e na cabeça e manchas na pele.
Em uma parcela menor dos casos, a infecção pode atingir o sistema nervoso e provocar encefalite, meningite ou paralisia flácida aguda, quadro semelhante ao observado na poliomielite.
Segundo o infectologista Tobias Garcez, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT/UFNT), a ocorrência de manifestações neurológicas está entre os principais sinais de gravidade da doença.
Por ser uma infecção de baixa ocorrência no país, os exames para identificação do vírus não estão disponíveis de forma ampla na rede de saúde. As amostras são, em geral, encaminhadas aos laboratórios de saúde pública.
O diagnóstico pode ser feito pela detecção de anticorpos no sangue a partir do quinto dia de doença. Em pacientes com suspeita de comprometimento neurológico, também podem ser pesquisados anticorpos no líquido cefalorraquidiano a partir do oitavo dia.
O Brasil registrou o primeiro caso humano de febre do Nilo Ocidental em 2014, no Piauí. Quatro anos depois, o vírus foi identificado em um equídeo no Espírito Santo.
Não existe vacina para humanos nem tratamento antiviral específico contra a febre do Nilo Ocidental. Por isso, as medidas de prevenção são a principal forma de reduzir o risco de infecção.
Entre as recomendações estão o uso de repelentes, a instalação de barreiras físicas para impedir a entrada de mosquitos nas residências e a eliminação de locais com água parada.
Também é importante o monitoramento da circulação dos mosquitos transmissores pelas autoridades de saúde, por meio da vigilância entomológica.
Apesar dos registros recentes, o especialista afirma que não há motivo para alarme entre a população. Segundo ele, a ampliação de protocolos e ações de vigilância deve acompanhar eventual aumento no número de casos.
A principal forma de transmissão ocorre pelo ciclo entre mosquitos e aves silvestres. Humanos e cavalos podem ser infectados após a picada de um mosquito contaminado, mas não são considerados importantes amplificadores do vírus na natureza.
A doença é diferente de dengue, zika e chikungunya, embora compartilhe com essas arboviroses a participação de mosquitos na transmissão.
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