
Pelo menos 7,5 mil agentes de segurança pública de todo o país participarão nesta quarta-feira (2) de uma capacitação nacional voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência. O treinamento será realizado por transmissão simultânea e reunirá profissionais das 27 capitais e de 81 cidades do interior.
A iniciativa pretende aprimorar a atuação dos agentes no atendimento, na proteção e na prevenção da violência contra as mulheres, com abordagem baseada na perspectiva de gênero.
De acordo com a diretora de Ensino e Pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Michele Gonçalves dos Ramos, outros 2 mil profissionais já passaram pela capacitação nos últimos três anos.
O treinamento contará com a participação de policiais civis, militares e penais, bombeiros, guardas municipais e profissionais das perícias oficiais.
Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a preparação dos profissionais é fundamental porque eles estão entre os primeiros representantes do Estado a entrar em contato com mulheres que procuram ajuda.
Além da capacitação, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério das Mulheres anunciaram duas portarias relacionadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
Uma delas estabelece procedimentos para análise e aprovação dos planos estaduais e do plano distrital de combate à violência contra a mulher. Segundo o governo, a medida busca tornar mais transparente e ágil a aplicação de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública destinados à área.
A segunda portaria cria um grupo de trabalho interministerial responsável pela elaboração de um protocolo nacional de atendimento a mulheres vítimas de violência sexual.
A proposta é criar uma referência para o atendimento realizado nas delegacias de Polícia Civil de todo o país, buscando uniformizar procedimentos e melhorar a articulação entre segurança pública, saúde e outros serviços da rede de proteção.
Segundo Michele Gonçalves dos Ramos, a padronização deve contribuir para um atendimento mais qualificado e humanizado às vítimas.
Durante o anúncio das medidas, os ministérios também apresentaram o dossiê “Mulheres e Meninas Seguras, Evidências para o Enfrentamento da Violência de Gênero”, que reúne 14 artigos produzidos por pesquisadores da área.
O material pretende reunir evidências e estudos que possam contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero.
Dados divulgados pelo governo apontam que o Brasil registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026. No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 876 vítimas.
A diferença representa uma redução de 3,2% nos casos registrados nos primeiros sete meses deste ano.
Apesar da queda, o governo defende o fortalecimento da capacitação dos profissionais que atuam diretamente no atendimento às vítimas e a criação de protocolos comuns para melhorar a resposta do Estado aos casos de violência contra mulheres.
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