
A Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal, investiga um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas financeiras no Brasil e no exterior para ocultar recursos provenientes de apostas esportivas e jogos de azar. A apuração envolve suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
A operação foi realizada em conjunto pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal e Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. As medidas foram autorizadas pela Justiça Federal da Paraíba e cumpridas em Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
Ao todo, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão, distribuídos por 14 endereços. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados e o sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 1,1 bilhão.
A investigação aponta que o grupo teria utilizado uma estrutura societária e financeira mantida no exterior para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos movimentados a partir das atividades de apostas.
Segundo a Polícia Federal, valores provenientes das apostas eram transferidos para fora do país por meio de empresas de compensação financeira.
Parte dos recursos teria chegado a uma empresa registrada em Curaçao, no Caribe, apontada pelos investigadores como uma empresa de fachada. A estrutura, segundo a apuração, não apresentaria funcionários ou atividade econômica compatível com as operações realizadas.
A investigação aponta ainda que a empresa no exterior teria emitido documentos fiscais referentes a serviços que não teriam sido efetivamente prestados. Dessa forma, os recursos poderiam retornar ao Brasil com aparência de legalidade.
A PF também investiga operações envolvendo empresas brasileiras, companhias no exterior e criptoativos, que teriam sido utilizadas para movimentar ou ocultar patrimônio.
Pixbet está entre os alvos
Entre os alvos da operação está a Pixbet, empresa do setor de apostas esportivas. A investigação também identificou movimentações envolvendo a PixStar.
O empresário Ernildo Júnior de Farias Santos, ligado à Pixbet e a outras marcas de apostas, aparece entre os principais alvos da apuração, segundo informações divulgadas sobre a operação.
Outro alvo de busca foi a residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo. O escritório do advogado atua na defesa de empresas do setor de apostas.
A defesa afirmou que a relação entre o escritório e a Pixbet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços jurídicos. Segundo a manifestação divulgada, a atuação dos advogados não se confunde com as atividades empresariais ou eventuais condutas atribuídas aos clientes.
Investigação mira possível sonegação fiscal
Além da movimentação internacional de recursos, a Receita Federal apura possíveis irregularidades tributárias relacionadas às operações do grupo.
A estrutura investigada teria sido utilizada, segundo os investigadores, para dificultar o rastreamento dos valores e reduzir ou ocultar obrigações tributárias.
A operação também busca identificar o patrimônio que teria sido adquirido ou movimentado com recursos de origem supostamente ilícita. Entre as medidas autorizadas pela Justiça está o bloqueio e sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
Como funcionaria o suposto esquema
De acordo com as informações divulgadas pela investigação, o esquema teria várias etapas.
Primeiro, recursos obtidos por meio de apostas e jogos de azar seriam movimentados por empresas relacionadas ao grupo. Parte do dinheiro seria enviada para o exterior por meio de empresas de compensação.
Os valores chegariam posteriormente a estruturas empresariais sediadas fora do Brasil, incluindo uma empresa registrada em Curaçao. A partir daí, recursos poderiam ser movimentados novamente ou retornar ao país com uma justificativa formal, dificultando a identificação de sua origem.
A investigação também analisa o uso de criptomoedas e empresas sem atividade econômica compatível para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, além de possíveis delitos tributários.
O material apreendido durante a operação deverá ser analisado pelos investigadores para identificar novas movimentações financeiras, empresas eventualmente utilizadas como intermediárias e o destino dos recursos sob suspeita.
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