
O Brasil gastou R$ 163,1 bilhões com segurança pública em 2025, um aumento de 2,1% em relação ao ano anterior, mas encerrou o período com 964.668 pessoas encarceradas e um déficit de 281.213 vagas no sistema prisional. O contraste revela que o avanço das despesas não foi acompanhado por uma redução da população presa nem por uma estrutura capaz de absorver o crescimento do encarceramento.
Os dados foram divulgados na quinta-feira (23), na 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento reúne informações oficiais referentes majoritariamente a 2025 e mostra que o número de presos cresceu 5,6% em apenas um ano, enquanto o déficit de vagas avançou 18,3%.
Desde 2000, a população privada de liberdade aumentou 314,5%, o que evidencia a consolidação de um modelo que recorre ao encarceramento em larga escala sem ampliar na mesma proporção a capacidade do sistema. O resultado é a manutenção de unidades superlotadas, com pressão crescente sobre a infraestrutura, os servidores e os próprios presos.
O perfil da população carcerária também expõe desigualdades persistentes. Os homens representam 94% das pessoas privadas de liberdade, enquanto os negros correspondem a 69,6% do total. O anuário também registrou 10.218 pessoas com deficiência no sistema prisional, número 11,8% maior que o observado em 2024.
As oportunidades de trabalho continuam restritas e alcançam apenas 21,6% dos presos. Mesmo com crescimento de 13,2% na quantidade de pessoas em atividades laborais, quase oito em cada dez encarcerados permanecem fora desses programas. Entre os que trabalham, 77% exercem suas funções dentro das próprias unidades.
As condições das prisões também aparecem nos registros de mortes. Em 2025, foram contabilizados 3.318 óbitos no sistema, com aumento de 0,3% em relação ao ano anterior. As mortes classificadas como de causa desconhecida cresceram 66,5%, enquanto os suicídios tiveram alta de 1,3%.
Os estados concentraram R$ 131,2 bilhões dos gastos com segurança pública e ampliaram suas despesas em 6,2%, enquanto os recursos da União recuaram 2,9%.
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