
O Brasil registrou 132.025 casos de descumprimento de medidas protetivas de urgência em 2025, o que representa um aumento de 16,7% em relação ao ano anterior. No mesmo período, os feminicídios cresceram 4% e chegaram a 1.571 vítimas, enquanto seis em cada dez mulheres foram mortas dentro da própria residência.
Os dados foram divulgados na quinta-feira (23), na 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento reúne informações oficiais referentes majoritariamente a 2025 e apresenta um retrato amplo da violência contra a mulher no país.
A residência aparece como o principal cenário da violência fatal, já que 62,5% dos feminicídios ocorreram dentro de casa. Na maioria das vezes, o agressor fazia parte da vida da vítima, uma vez que parceiros íntimos responderam por 60,9% dos crimes, ex-companheiros por 18,9% e familiares por 12,1%.
Entre os feminicídios com autoria identificada, 96,4% foram cometidos por homens. O perfil das vítimas também revela desigualdades, pois mulheres negras representaram 65,1% das mortes e 56,5% tinham entre 25 e 44 anos.
Os números indicam que o feminicídio costuma ser precedido por outras formas de violência. Em 2025, o país contabilizou 788.531 ameaças, 286.270 agressões em contexto de violência doméstica, 123.871 casos de stalking e 60.830 registros de violência psicológica.
As tentativas de feminicídio também aumentaram e chegaram a 4.189 vítimas, uma alta de 5,9% na comparação com 2024. O conjunto dos dados mostra que, em muitos casos, a violência se mantém mesmo após a concessão de uma medida judicial de proteção.
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